Majulah Singapura (do Malaio: “Em frente Singapura!) é o moto oficial do pequeno país insular que este ano celebra 55 anos de independência da Malásia.
Após a sua independência, Singapura enfrentou um pequeno mercado interno e altos níveis de desemprego e pobreza. 70% dos lares de Singapura viviam em condições de superlotação e um terço de sua população vivia em favelas nas periferias da cidade. A média de desemprego era de 14%, o PIB/capita era de US $ 516 e metade da população era analfabeta.
Em apenas 55 anos Singapura tornou-se numa pequena potência económica a nível mundial, encontrando-se hoje entre no top 10 dos países mais desenvolvidos do mundo em termos socioeconómicos, o mesmo é dizer 31 lugares à frente de Portugal, o qual já conta com 46 anos de Democracia. Na Singapura de hoje o desemprego é de 2,3%, o PIB/capita é de US $ 64 581,94 e apenas 2,5% da população é analfabeta.
Uns poderão dizer que é injusto comparar Portugal com Singapura, mas não! O verdadeiro milagre de Singapura assenta em três pilares fundamentais que faltam ao nosso país: estabilidade e compromisso político (e consequentemente planeamento de uma estratégia de desenvolvimento de longo prazo), meritocracia e exigência na educação.
A importância destes 3 pilares fundamentais ao desenvolvimento podem ser resumidos nas respectivas máximas do Pai Fundador de Singapura, o saudoso Lee Kuan Yew: “É possível criar uma sociedade na qual todos recebem oportunidades iguais e onde as recompensas variam de acordo com o valor da contribuição de uma pessoa para essa sociedade. Por outras palavras, a sociedade deve fazer valer o tempo das pessoas que dão o melhor de si ao país. Este é o caminho para o progresso.”; “Os fatores decisivos [para acabar com as desigualdades socioeconómicas] são as [próprias] pessoas, os [seus] skills inatos, a educação e formação [cívica]. O conhecimento e a posse de tecnologia são vitais para a criação de riqueza”; “Eu ignoro as sondagens como um método de governação… pois mostra uma certa fraqueza de espírito – uma incapacidade de traçar um rumo face a qualquer direção que o vento sopra, face a qualquer forma que os media incentivam as pessoas a irem… Se não puder forçar ou não estiver disposto a forçar os seus eleitores a segui-lo, com ou sem ameaças, então não é um líder…. Julgo que um líder que o faz, é um líder fraco. Entre ser amado e ser temido, eu sempre acreditei que Maquiavel estava certo…”
Passados 55 anos, Singapura ruma ao futuro. Passados 45 anos Portugal ruma ao incerto. No final do dia o problema de Portugal é cultural. Resta saber se a Região Autónoma da Madeira quer continuar a chafurdar na cultura portuguesa, ou, se como Singapura, seguirá o seu próprio caminho, rumo a um futuro próprio. O caminho da Região Autónoma da Madeira pode ser traçado ao lado de Portugal, mas não com Portugal. Existindo capacidade legislativa, planeamento, estratégia e sobretudo MERITOCRACIA, tudo é possível.
“Não estou aqui para jogar o jogo de outras pessoas. Sou responsável pela vida de 5 milhões de pessoas.” – Lee Kuan Yew, 1965 (ano de independência de Singapura).

