A atual situação que se verifica com o Centro Internacional de Negócios da Madeira (CINM) é totalmente lamentável, quer do ponto de vista político, quer do ponto de vista sócio-económico e fiscal.
Princípio: Toda esta situação começou com a desonestidade intelectual de Ana Gomes, que já em 2017 preparava a sua candidatura à Presidência da República, altura em que, fazendo uso da sua posição de Eurodeputada, levanta falsas questões em torno do Centro Internacional de Negócios da Madeira junto da atual Vice-Presidente da Comissão Europeia, Margrethe Vestager. Passados 3 anos, e sem um pingo de vergonha na cara, Ana Gomes visita a Região Autónoma da Madeira, na qualidade de candidata presidencial, esgrimindo de novo o Centro Internacional de Negócios da Madeira com o intuito de “ensinar” os madeirenses sobre os problemas do mesmo enquanto tenta dar lições de Economia Insular, cadeira que nunca estudou. “Atirando verdes para apanhar maduras” diz a senhora ser muito estranho que Madeira não tenha indústria de transformação pesqueira. Tivesse a senhora se mantido no seu galho saberia que a Madeira não tem plataforma marítima e por isso recursos haliêuticos suficientes para sustentar uma indústria conserveira. Enfim, é o que dá ter o pensamento cristalizado na “era da manufactura”, assente em mão de obra barata, e quiçá com intuito de facilitar a imigração de pessoal não qualificado para uma região ultraperiférica que precisa de internacionalizar a sua economia, fixando população jovem (altamente) qualificada aproveitando as potencialidades da Universidade da Madeira, e colhendo os benefícios da globalização.
Meio: Por seu turno, a Comissão Europeia, também cedeu aos lobbies (resta saber se de “praças”, alegadamente concorrentes ao CINM, se de defensores do colonial-centralismo tipicamente lisboeta que quer condicionar o eleitorado madeirense). Convinha por isso o Governo Regional, SDM e ACIF-CCIM exigirem publicamente que a Comissão Europeia, em nome da transparência que esta tanto defende, a lista de todas as partes interessadas que se pronunciaram sobre o processo de investigação ao Regime III do CINM bem como o teor das suas observações. Afinal uma consulta pública não pode ter contributos secretos! Falta de transparência que não permite uma RUP se defender e representar os seus legítimos e fundamentados interesses.
Fim: Desde 2012, altura em que concluí a minha tese de mestrado sobre o CINM e potencial de geração de receita fiscal deste (Jurisdiction and economic competitiveness in a european outermost region: the case of the Autonomous Region of Madeira) que sempre me deparei com a questão dos lobbies das “praças” concorrente e a falta de desígnio nacional para com o CINM. Caros stakeholders, o CINM foi fundado há exatamente 40 anos! Quantos mais anos vão andar no jogo do empurra relativamente à culpa da “má publicidade” e das “más línguas” para justificar os constantes ataques ao CINM? 40 anos é muito mais do que duram certos casamentos, certamente teriam tido tempo (e recursos) suficientes para montar uma ofensiva lobbista sustentada e articulada contra os “obscuros” lobbies que tentam destruir aquele que é, hoje, o segundo setor mais importante da economia da Região Autónoma da Madeira!
Fotógrafo: a beleza da fotografia depende muito mais de quem a tira do quem nela figura. Relativamente ao CINM e à sua manutenção talvez não fosse má ideia o fotógrafo ter uma formação profissional ou ser substituído por alguém com experiência internacional na dita arte.

