Vencidos da Vida

Portugal vive desde 25 de Abril de 1974 sob o jugo da geração dos vencidos da vida, a geração à qual lhes foi prometido os gloriosos frutos da Revolução e que depressa os viu esfumar como mera miragem, fruto do desastre político que se instalou em Portugal.

Na verdade, para além dos direitos constitucionalmente consagrados aos Portugueses e os avanços trazidos pelos sistemas autonómicos, o milagre económico que todos ansiavam nunca foi concretizado.
A prova está à vista de todos os Economistas. E para isso basta compararmos o salário mínimo de 1974, que ajustado ao valor real de 2013 seria de €577, e o salário mínimo de 2013 que em termos reais valia €485.
Estes simples números traduzem uma única realidade: em 43 anos de democracia a geração que esperava os gloriosos frutos da Revolução, mais não fez do que se acomodar na ilusão Europeia vendida pelo novo regime democrático, limitando-se a re-eleger políticos que mais não fizeram do que usar o sistema em seu proveito próprio ao mesmo tempo que entorpeciam os eleitores com obras e emprego público.
A geração de políticos que desde aí nos governam e aspira continuar a governar, não é mais do que um segmento da geração dos vencidos da vida que usaram as estruturas partidárias para ascenderem socioeconomicamente e nada mudarem em Portugal.
Muitos dirão que não, que Portugal mudou, que Portugal é uma democracia e que as condições socioeconómicas são melhores do que antes do 25 de Abril. Mas também ninguém se esquece que faz 43 anos que todos nós ouvimos, ano após ano, de que Portugal necessita de reformas estruturais, que temos que criar uma envolvente económica sustentável, que temos de reduzir a dívida e uma série de outras medidas para ficarmos mais perto das médias europeia…
Afinal em que ficamos? É preciso quase meio século, depois da Revolução, ou 32 anos, após a entrada na UE, para alcançar simples standards de desenvolvimento económico como um verdadeiro país Europeu? Vale a pena sacrificar gerações futuras e medidas económicas necessárias em troca de mais quatro anos a aquecer as cadeiras na Assembleia da República?
Findos 43 anos, a pergunta que tenho para a geração dos vencidos da vida, políticos e eleitores, é a seguinte: por quanto tempo é que preciso manter o país sobre o vosso jugo? Por quanto tempo é que vão manter o vosso rancor velado pelo facto de terem usado o pós-25 de Abril em proveito único e exclusivamente vosso, condicionando pelo menos três gerações de novos Portugueses?
Findos 43 anos é sem dúvida necessária uma lata, ou antes mesmo um bidão, para se continuarem a armar em salvadores da Pátria e para continuarem a argumentar que estruturas partidárias e os partidos, nos seus moldes atuais, têm a solução para o país. Não se esqueçam de foi a vossa geração, de eleitores e eleitos, que mais culpas tem no cartório da história no que toca à “fuga de cérebros”, a qual, supostamente, muito vos ofende.
Abril nunca se cumpriu. Abril será sempre mera miragem enquanto houver vencidos da vida.

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