praxe académica na Universidade da Madeira

Praxe Académica na Universidade da Madeira

Iniciou-se, no passado dia 1 de Setembro, mais um ano académico da Universidade da Madeira (UMa), e com ele dias infindáveis de praxe, com o constante barulho e grunhidos associados.

Recorde-se as atuais palavras do Professor Doutor Mariano Gago (PS), sobre as ditas praxes: “embora afirmando uma intenção de integração dos novos alunos, mais não são que práticas de humilhação e de agressão física e psicológica de índole manifestamente fascista e boçal, indignas de uma sociedade civilizada e inconcebíveis em instituições de educação”; “a degradação física e psicológica dos mais novos como rito de iniciação é uma afronta aos valores da própria educação e à razão de ser das instituições de ensino superior e deve ser eficazmente combatida por todos: estudantes, professores e, muito especialmente, pelos próprios responsáveis das instituições”, referindo ainda que, em relação às associações de estudantes “que num passado ainda bem recente, e em condições difíceis, pugnaram pelos valores da liberdade e da dignidade humana, espera-se um contributo activo, não só não acolhendo nem apoiando ações que, a coberto de pseudo intenções de integração dos jovens estudantes põem objectivamente em causa aqueles valores, como promovendo iniciativas no sentido de uma verdadeira integração na comunidade académica.”

A UMa, através dos seus órgão dirigentes e da Académica da Madeira (associação de estudantes), deveriam acabar com a medieval praxe e optar pela integração dos seus novos alunos através de práticas moral e civilizacionalmente superiores conhecidas no Brasil como “trote solidária”.

Só fica bem à UMa e à Académica da Madeira, de um ponto de vista de marketing, social, moral e ético promover um estilo de “praxe” que permita incutir no corpo estudantil (e académico), e consequentemente futuros cidadãos que integrarão no futuro o mercado de trabalho e que se querem responsáveis perante sociedade e o Estado.

No âmbito da “trote solidária” da praxe académica na Universidade da Madeira os novos alunos poderão ser integrados através da participação conjunta em actividades de cariz assistencialista e ambientalista. Tais atividades poderão envolver a coleta de alimentos não perecíveis e roupas para caridades, campanhas de doação de sangue ou medula óssea, ações de limpeza de zonas balneares ou parques naturais, etc.

Note-se ainda que tal “trote solidário” não exclui uma componente lúdica e de networking entre novos e atuais estudantes. No entanto, e de momento, a UMa e a Académica da Madeira aparentam estar mais interessadas em perpetuar o “sadomasoquismo pedagógico perante a sociedade, sociedade esta que parece muito mais preocupada com o espetáculo do que com a violência, tolerando a mesma, praticada regularmente contra os jovens como um símbolo do sucesso daqueles que foram aprovados no ensino superior”.

P.S.: A UMa tem vindo a queixar-se de sucessivos cortes orçamentais, via Orçamento de Estado, e a crise política atual só torna pior a situação financeira da instituição de ensino superior na Região Autónoma da Madeira. Pergunta: já foi estudada a possibilidade da UMa se tornar numa Universidade-Fundação dadas as suas vantagens?

P.P.S.: Quando é que o Governo Regional adapta os benefícios fiscais inerentes ao mecenato à realidade da Região, tendo em conta a necessidade de melhorar a competitividade da UMa?

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