Se a Ciência e a Política, numa democracia liberal, devem estar ao serviço da Humanidade, por que razão teima a última em não dar a mão à primeira?

Ainda que uma forma de governo puramente tecnocrática seja no mínimo discutível, facto é que em pleno séc. XXI, com todos os avanços tecnológicos, conhecimentos científicos adquiridos em todos os domínios, e na alvorada da inteligência artificial, se admita sequer a possibilidade, nas democracia liberais ocidentais, de pôr em causa tais conhecimentos.
Pois, nas palavras de Lee Kwan Yew, “surpreendentemente, a maioria dos líderes do mundo ocidental contemporâneo no governo não possuem experiência ou qualificações especiais [necessárias]. Muitos são eleitos porque soam e ficam bem na televisão. Os resultados são sempre infelizes para os seus eleitores”.
A esmagadora maioria do problemas políticos, económicos e sociais é facilmente solucionada não pelo mero achar, pensar e argumentar entre partidos, mas pela simples e rápida implementação de soluções suportadas por estudos científicos. O combate às alterações climáticas e aquecimento global é um desses problemas para o qual várias soluções científicas são conhecidas, mas que os políticos teimam em “empurrar com a barriga” com medo de perderem votos e não afrontar o status quo económico.
Se a Ciência e a Política, numa democracia liberal, devem estar ao serviço da Humanidade, por que razão teima a última em não dar a mão à primeira? Percebe-se que os políticos têm sempre medo de perder votos, pois tal implica deixar de viverem no conforto das cadeiras do poder, no entanto pergunto aos contribuintes: quando é que vão passar a julgar as políticas públicas de acordo com os resultados visíveis e mensuráveis das mesmas, em detrimento das intenções que lhe são subjacentes? Afinal, como diz o ditado, de boas intenções está o Inferno cheio.
Numa democracia liberal, de cariz tecnocrático, todos os problemas para os quais existam uma clara e comprovada solução científica deverão ser solucionados de tal forma, sem que tal solução seja sujeita a um desgastante, ineficiente e teatral debate político. A eficiente e científica gestão dos parcos recursos existentes não pode, nem deve ser sujeita à conveniência partidária, sendo que o único limite que se deve impor é a escrupulosa e inalienável proteção dos Direitos Humanos.
“A democracia é a pior forma de governo, com exceção de todas as demais” – Sir Winston Spencer-Churchill
in JM-Madeira
