Tecnocracia



Se a Ciência e a Política, numa democracia liberal, devem estar ao serviço da Humanidade, por que razão teima a última em não dar a mão à primeira?

 

“Literalmente, a palavra “tecnocracia” significa governo por habilidade, em contraste com o governo pela opinião – seja uma autocracia (governo pela opinião de um homem), uma aristocracia (governo pelas opiniões de uma classe alta), uma plutocracia pelas opiniões dos ricos), ou uma democracia (governo pela opinião de todos). Assim, a tecnocracia é, estritamente, uma forma de governo que é projetado para utilizar o conhecimento da ciência e os métodos tecnológicos para produzir e distribuir uma abundância de bens e serviços públicos para todos os cidadãos. O mesmo é dizer que é uma forma de governo em que os fatores físicos, não as opiniões ou tradições humanas, determinam o que deve ser feito no modo de operação social, assim como o que deve ser feito.” – Wilton Ivie, 1953.

 

Ainda que uma forma de governo puramente tecnocrática seja no mínimo discutível, facto é que em pleno séc. XXI, com todos os avanços tecnológicos, conhecimentos científicos adquiridos em todos os domínios, e na alvorada da inteligência artificial, se admita sequer a possibilidade, nas democracia liberais ocidentais, de pôr em causa tais conhecimentos.

 

Pois, nas palavras de Lee Kwan Yew, “surpreendentemente, a maioria dos líderes do mundo ocidental contemporâneo no governo não possuem experiência ou qualificações especiais [necessárias]. Muitos são eleitos porque soam e ficam bem na televisão. Os resultados são sempre infelizes para os seus eleitores”.

 

A esmagadora maioria do problemas políticos, económicos e sociais é facilmente solucionada não pelo mero achar, pensar e argumentar entre partidos, mas pela simples e rápida implementação de soluções suportadas por estudos científicos. O combate às alterações climáticas e aquecimento global é um desses problemas para o qual várias soluções científicas são conhecidas, mas que os políticos teimam em “empurrar com a barriga” com medo de perderem votos e não afrontar o status quo económico.

 

Se a Ciência e a Política, numa democracia liberal, devem estar ao serviço da Humanidade, por que razão teima a última em não dar a mão à primeira? Percebe-se que os políticos têm sempre medo de perder votos, pois tal implica deixar de viverem no conforto das cadeiras do poder, no entanto pergunto aos contribuintes: quando é que vão passar a julgar as políticas públicas de acordo com os resultados visíveis e mensuráveis das mesmas, em detrimento das intenções que lhe são subjacentes? Afinal, como diz o ditado, de boas intenções está o Inferno cheio.

 

Numa democracia liberal, de cariz tecnocrático, todos os problemas para os quais existam uma clara e comprovada solução científica deverão ser solucionados de tal forma, sem que tal solução seja sujeita a um desgastante, ineficiente e teatral debate político. A eficiente e científica gestão dos parcos recursos existentes não pode, nem deve ser sujeita à conveniência partidária, sendo que o único limite que se deve impor é a escrupulosa e inalienável proteção dos Direitos Humanos.

 

“A democracia é a pior forma de governo, com exceção de todas as demais” – Sir Winston Spencer-Churchill

 



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