República e Laicidade

República e Laicidade

 A Associação “República e Laicidade” (RL) encontra-se mais uma vez sob os holofotes, mas desta vez não pela sua fervorosa defesa do secularismo. Em vez disso, enfrenta críticas pelas aparentes inconsistências na sua posição sobre questões relacionadas com a igreja e o estado. A recente oposição vocal da República e Laicidade ao apoio do governo português às Jornadas Mundiais de Juventude contrasta acentuadamente com o seu surpreendente e aparente silêncio sobre outros eventos e tradições públicas influenciados pela religião.

Na era da informação, onde as inconsistências são rapidamente notadas e questionadas, o secularismo seletivo da RL deixa muitos perplexos.

Recordemos o brilho e o júbilo das luzes de Natal que iluminam as nossas ruas e edifícios governamentais a cada dezembro. A origem destas exibições de luz e cor está inegavelmente enraizada em tradições religiosas que remontam ao paganismo. No entanto, a RL, com todo o seu fervor secular, não liderou campanhas para acabar com esta prática.

Da mesma forma, as celebrações dos Santos Populares, e outros santos padroeiros, por este país fora que têm claros tons católico-romanos, continuam a ser celebradas com o endosso das câmaras municipais por todo o país. Mais uma vez, o silêncio da RL é tão palpável quanto perplexo.

Além disso, não esqueçamos dos feriados religiosos que pontuam os nossos calendários e nos dão pausas no trabalho. Se a RL estivesse verdadeiramente comprometida com um estado laico, não seria o fim destes feriados (e quiçá a substituição destes por feriados políticos) os primeiros na sua lista de preocupações?

Claro, cada organização tem o direito de escolher as suas batalhas. Mas, para uma associação que se orgulha de promover um estado laico, estas inconsistências lançam sombras sobre a sua credibilidade.

Para ser claro, este não é um argumento contra o secularismo ou a separação da igreja e do estado. Tal separação é essencial para uma sociedade moderna, inclusiva e diversificada. No entanto, se alguém pretende defender uma causa, especialmente uma tão significativa quanto esta, deve fazê-lo com consistência e integridade.

Seria encorajador ver a RL envolver-se num diálogo construtivo sobre estas questões e oferecer soluções alinhadas com os valores que afirmam ter. Até lá a sua posição sobre questões de religião e estado, observada através das suas objeções seletivas, parece mais paradoxal do que baseada em princípios.

No final, é responsabilidade das organizações e seus sócios, especialmente aquelas com vozes influentes, garantir que a sua defesa permaneça transparente, consistente e fiel aos seus valores fundamentais. Só assim poderão efetivamente provocar a mudança que desejam ver, assim, deste modo é a pura hipocrisia que sustenta o preconceito ideológico dos ideólogos da laicidade, qualidade de quem é laico ou leigo, ou seja uns “nabos”, o que significa em “madeirense puro” ignorantes.

in JM-Madeira

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