Madeira

Renunciar o Colonialismo

Com o advento do 25 de Abril, Portugal renunciou, parcialmente, o colonialismo. Hoje, da Esquerda à Direita, a esmagadora maioria dos partidos com assento na Assembleia da República repudia o colonialismo e todas as práticas a ele inerentes.

Porém, à excepção do PSD-Madeira, ninguém a nível da política nacional e regional fala na reparação devida dos efeitos do colonialismo nas gentes e finanças madeirenses e portossantenses. PS-Madeira, PCP-Madeira e BE-Madeira, grandes “defensores dos oprimidos”, mal abrem a boca sobre, quando nós, Madeirenses e Portossantenses acudimos no passado “com a nossa riqueza, com o nosso trabalho e com as nossas gentes para construir Portugal no Atlântico e no Índico.” (Alberto Vieira, 2014).

É interessante ver como partidos que defenderam o perdão de dívidas a Moçambique e Angola, são os mesmo partidos que sabendo que “hoje, [estamos] exauridos das nossas grandes fontes de riqueza e tendo feito o esforço para acompanhar o processo de modernização e de inserção – de facto e de direito – na sociedade do século XXI” (Alberto Vieira 2014), nada dizem sobre o reconhecer da dívida histórica do estado central para com a Região Autónoma da Madeira.

São estes os mesmos partidos de Esquerda, que a nível regional e nacional, elogiaram o contributo académico do Prof. Dr. Alberto Vieira mas que ao mesmo tempo fazem orelhas moucas à sua obra histórico-científica sobre o Deve e o Haver da Madeira, da qual se destaca “As Finanças e Políticas Financeiras durante os séculos XV-XXI”.

São os partidos de Esquerda que se opondo ao colonialismo nos PALOPs nada dizem sobre a necessidade de reparações histórico-financeiras para com a Região Autónoma da Madeira, a qual evidenciou ao longo dos séculos um saldo orçamental positivo tendo este sido arrecadado pelo estado central com parco retorno na Região.

Posto isto, espanta-me como é que partidos de Esquerda mantêm a face para com os seus eleitores quando negam, por atos e palavras, à Região Autónoma da Madeira mecanismos próprios para gerar a sua receita fiscal (sistema fiscal próprio), de forma a melhor servir os Madeirenses e Portossantenses, partidos esses que se aliam a certos candidatos presidenciais que, para além de negarem a nossa Autonomia Político-Administrativa, negam também a única ferramenta que hoje temos à nossa disposição: o Centro Internacional de Negócios da Madeira. Espanta-me também o quase-silêncio do PSD-Madeira, findo o mandato do Dr. Alberto João Jardim enquanto Presidente do Governo Regional da Madeira, sobre a necessidade do estado central reconhecer a sua dívida histórica para com a Região Autónoma da Madeira e a aparente falta de interesse, por parte do partido, em informar o eleitorado sobre tamanha vigarice colonialista que persiste sobre o Povo Madeirense e Portossantense.

Dizia o Reverendo Martin Luther King Jr. que “a liberdade nunca é dada voluntariamente pelo opressor; deve ser exigida pelos oprimidos.”, e eu pergunto durante quanto mais tempo vai a Esquerda madeirense estar do lado dos “opressores”?

in JM-Madeira

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