quadros de mérito académico nas escolas públicas

Quadros de mérito académico

Sofia Canha (Partido Socialista), opina que os quadros de mérito académico existentes em algumas escolas públicas são, grosso modo, discriminatórios e que não têm lugar numa escola pública, pois os mesmos não levam em linha de conta o contexto sócio-económico dos alunos, o qual pode afetar o seu desempenho académico.

Permitam-me que discorde, a existência dos quadros de mérito académico deveria ser obrigatória em todas as escolas pública e privadas como forma de fomentar a meritocracia e competição académica salutar entre alunos. No final do dia os mesmos serão expostos aquando da sua entrada no ensino superior e, posteriormente no mercado de trabalho, a rankings classificatórios que determinarão as suas oportunidades de carreira.

À semelhança dos sistemas de educação marcadamente anglo-saxónicos e confucionistas, a Secretaria Regional de Educação deverá fomentar a adopção dos mesmos, como forma imbuir a meritocracia no sistema de educação e, consequentemente, na sociedade madeirense. Se a política educacional socialista e colonialista é a de nivelar por baixo, impedindo até o chumbo dos alunos na educação básica do primeiro ciclo (especialmente no primeiro ano de escolaridade) e não só, a política educacional madeirense deverá pautar-se pela exigência, rigor e mérito académico.

Os alunos que não consigam acompanhar o programa, por motivos intelectuais ou de capacidade inata para certos ofícios deverão ser acompanhados por especialistas e encaminhados para programas educacionais alternativos por forma a que ganhem, o mais depressa possível, competências profissionais para integrarem o mercado de trabalho. Uma economia pujante não se faz apenas de doutores. Também aqui a implementação de quadros de mérito académico é necessária.

O background socioeconómico não é desculpa para o fraco desempenho académico. O problema madeirense é cultural, pois os encarregados de educação que questionam a autoridade do professor, colocam em causa a alegada dificuldade do programa ou simplesmente acham que a escola é um “centro de dia” para providenciar educação, em detrimento do conhecimento científico,  são também aqueles que julgam que o melhor é seus educandos serem “estrela de TV e TikTok” do que contribuinte e cidadão exemplar de uma sociedade liberal e democrática.

Posto isto, percebe-se a aversão socialista aos quadros de mérito académico, pois ao fomentar a meritocracia está, em última análise, a lançar as sementes contra a corrupção, nepotismo e clientelismo, comportamentos esses que há muito colocam entraves ao correcto funcionamento da economia e ao Estado de Direito em Portugal.

P.S.: Em certos países, os quadros de mérito académico nas escolas públicas são publicados às portas da escola identificando-se neles todos os alunos e a respetiva avaliação global dos mesmos, chegando as respetivas avaliações irem ao detalhe das décimas milésimas (quatro algarismo depois da vírgula, ex.: 16,3875).

in JM-Madeira

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