Monarquia

Porque Anulo o Boletim de Voto nas Presidenciais

O monarca é, num sentido real, a voz da História. E é precisamente a forma “acidental” como chega ao cargo, por sucessão, continuidade, destino e não por carreira, que reforça o fundamento profundo da sua legitimidade: a de nascer da longa memória de um lugar, de uma cultura e de um povo.

O monarca não é apenas um gestor do presente. Ele personifica a permanência. Faz-se elo entre gerações, entre o que fomos e o que pretendemos ser. E, nesse sentido, cria um vínculo quase sagrado entre o território que habitamos e o seu corpo mortal: a pátria deixa de ser abstração, deixa de ser um conceito jurídico ou um expediente eleitoral, e volta a ser realidade encarnada.

A vida de um país, a sua soberania, as suas leis, a sua continuidade, não é uma soma de vontades momentâneas nem um agregado de maiorias improvisadas. Tem um lugar, um centro. E esse centro, num regime monárquico, é o peito do próprio monarca: não porque tudo dele dependa, mas porque nele se concentra aquilo que nenhuma eleição pode fabricar: a continuidade histórica e a dignidade institucional.

E é aqui que importa dizê-lo sem rodeios: em momento algum um presidente, nem qualquer político profissional, pode reclamar tal legitimidade quanto à chefia de Estado. O presidente é sempre produto do seu tempo, das suas alianças, do seu partido, do seu cálculo. O monarca, quando é verdadeiro, é produto de algo maior: de uma tradição que não se reduz ao mandato, nem se dissolve na propaganda.