Política Externa: Quo Vadis?



O “mundo ocidental”, na acepção da Guerra Fria, e em particular a União Europeia e Portugal, há muito que parecem terem esquecido a importância da política externa, ou seja, procurar proteger os interesses nacionais, em especial a segurança, prosperidade económica e valores.

 

Desde o intervencionismo e agressão americanos, os quais ganharam os seus contornos atuais em 1893 com o derrubar, e posterior anexação, do Reino do Hawai’i, na altura uma nação soberana e uma Monarquia Constitucional encabeçada por S.M. a Rainha Liliʻuokalani, da Casa Real de Kalākaua, tudo por causa de um punhado de produtores de açúcar americanos lá residentes que mais não faziam do que explorar a mão-de-obra local contra a vontade e repetidos avisos do Governo de Sua Majestade;

 

Passando pela total negligência da UE face aos seus países vizinhos, nomeadamente os países do Magrebe e a Rússia, nos quais tenta constantemente impor os seus valores, de uma maneira quase que neo-colonialista, ao invés de limitar-se a cooperar economicamente com os mesmos, promovendo investimentos económicos de cariz estrutural (estratégia aliás já adoptada em África, com grande sucesso, pela República Popular da China), criando as condições socioeconómicos e geo-políticas para que não se verifiquem crises migratórias ou interferências nos seus sistemas democráticos;

 

E acabando na incapacidade de Portugal defender, legal e diplomaticamente, os seus interesses económicos. Veja-se a incapacidade/incompreensão da maioria de classe política portuguesa em defender e melhorar o regime inerente ao Centro Internacional de Negócios da Madeira como uma “faca de dois gumes”: captando investimento direto estrangeiro e internacionalizando empresas portuguesas no setor dos serviços transaccionáveis.

 

Os três exemplos acima mencionados espelham, não só, uma inversão de prioridades, mas também uma total falta de visão estratégica devido a uma atitude colonialista.

 

Se o foco dos EUA e da UE fosse em primeiro lugar as relações com os seus vizinhos fronteiriços, promovendo o comércio livre, a cooperação económica e os investimentos estruturais necessários, em vez da permanente exportação dos seus valores democráticos e ideais, estariam lançadas as sementes para um desenvolvimento mais cooperante entre nações soberanas. Veja-se o Sudeste Asiático, região do globo cultural e etnicamente diversificada, o qual foi votado ao esquecimento e ao falhanço socioeconómico por parte das “potências” ocidentais aquando fim da Guerra do Vietname.

 

Porém, passados 43 anos de não “interferência” ocidental, o Sudeste Asiático é uma das mais vibrantes áreas do globo em termos de desenvolvimento socioeconómico, tendo ultrapassado desde 1986 as demais regiões em desenvolvimento do mundo; berço de uma das nações do G-20 (a Indonésia); e onde cerca de 45% dos países possuem um regime democrático (recorde-se que isto aconteceu sem intervenção ocidental e apenas em 43 anos, um grão de areia no friso temporal da Humanidade), e cooperam com nações com diferentes regimes políticos através da ASEAN – Associação de Nações do Sudeste Asiático.

 

Está por isso na altura do “mundo ocidental” repensar a sua posição externa num contexto onde este não será mais dominante e onde os cidadãos de ambos os intervenientes querem ver solucionados primeiro os seus problemas, em detrimento da “exportação” da democracia, como fizeram em relação às ex-colónias Portuguesas.

 


in JM-Madeira




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