“Pela Madeira vou onde for necessário ir”. Foi esta a frase escolhida e proferida por António Costa, Secretário-Geral do PS e primeiro-ministro do governo “geringonça” aquando da convenção socialista “Madeira é Europa”, realizada na semana passada.
1. Excelência, onde estava e até onde foi pela Madeira quando o governo de José Sócrates pôs em causa o Centro Internacional de Negócios da Madeira? Onde estava e até onde foi pela Madeira, agora que é líder do Partido Socialista, quando nada fez para desmentir a sua Eurodeputada Ana Gomes sobre o Centro Internacional de Negócios da Madeira? Onde estava e até onde foi pela Madeira, na qualidade de líder do Partido Socialista, elogiando o trabalho da sua Eurodeputada Liliana Rodrigues, quando na verdade esta senhora nunca tenta desmentir Ana Gomes ou sequer defender o Centro Internacional de Negócios da Madeira?
2. Excelência, onde estava e até onde foi pela Madeira nas múltiplas e repetidas vezes que a Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira, órgão de Autonomia supremo da vontade dos eleitores e contribuintes Madeirenses, quando esta clamou por maior Autonomia, nomeadamente de cariz fiscal?
3. Excelência, onde estava e até onde foi pela Madeira quando as celebrações do dia de Portugal foram desviadas para Portalegre e para Cabo Verde (que não é território português desde 5 de Julho de 1975)? Às perguntas acima (e a muitas outras ainda que poderiam ser feitas, como por exemplo sobre o novo hospital) vossa Excelência não se pronuncia e os os seus queridos líderes socialistas (e o alegado independente?) regionais também não (a culpa é sempre convenientemente dos outros, e em especial do PSD-Madeira).
Pelo que tenho sérias dúvidas de que irá pela Madeira até onde for necessário ir. Até por que se fosse pela Madeira até onde fosse necessário, aliás como anunciou alto e bom som para todos os Madeirenses ouvirem, então há muito que já teria defendido: mm sistema fiscal regional próprio completamente separado do de Lisboa, o qual permitiria a nossa economia ultraperiférica ficar autónoma face às transferências do Orçamento de Estado ao mesmo tempo que seria capaz de responder aos choque económicos internacionais sem depender da Metrópole, a exemplo de Gibraltar ou conforme foi concedido a Macau antes da devolução à China; e um aprofundamento do sistema autonómico quer para a Madeira, quer para os Açores.
Pelo que, quando vossa Excelência diz “pela Madeira vou onde for necessário ir”, na verdade quer dizer o contrário do acima referido: quer tornar a Madeira cada vez mais dependente das transferências do OE, tornando a sua economia numa espécie de congénere do zombie económico açoriano e quer destruir o sistema autonómico através do reforço injustificável e economicamente irracional do municipalismo.
in JM-Madeira
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