Depois de observar as mais recentes intervenções da Eurodeputada Ana Gomes contra um dos pilares principais da Economia Madeirense, o Centro Internacional de Negócios da Madeira (CINM), urge-me, enquanto Economista, alertar que a senhora em questão revela uma total falta de conhecimento sobre a realidade económica e estrutural não só das regiões ultraperiféricas (RUPs), mas também das denominadas “pequenas economias insulares”.
Ao longo da sua carreira política, Ana Gomes desconsidera por completo não só os estudos levados a cabo pelo Observatório das Ilhas Europeias (OBS-EURISLES), sobre o impacto do afastamento geográfico no desenvolvimento das economias insulares, mas também os estudos do Banco Mundial e FMI, os quais explicitam que os “mecanismos e ajustes associados às políticas económicas devem ter em conta os condicionalismos permanentes” que as pequenas economias insulares enfrentam.
Por muito que custe a Ana Gomes, e a outros correligionários ideológicos, o CINM é, atualmente, a única ferramenta efetiva que permite mitigar grande parte das dificuldades que assolam uma economia insular e ultraperiférica como a Madeira.
Por muito que lhes custe, o CINM é responsável por: 12% do total do IDE atraído para Portugal; por 22% da receita do Governo Regional da Madeira; e, por último, mas não menos importante, é reponsável por mais de 2000 postos de trabalho qualificados na RAM. É também graças ao CINM, e através do Registo Internacional de Navios da Madeira (MAR), que Portugal se tornou no terceiro maior registo de embarcações na União Europeia.
Ao atacarem infundadamente o CINM, pessoas como Ana Gomes lesam não só a Região Autónoma da Madeira, mas a Pátria portuguesa ao tentar destituí-la de um pilar legítimo de desenvolvimento sócio-económico e de receita fiscal.
No entanto, duas perguntas persistem perante estes ataques continuados ao CINM:
- Por quanto tempo é que trabalhadores e empresas do CINM, ACIF-CCIM, Governo Regional e SDM vão permitir que alguém na posição de Ana Gomes arraste para a lama o nome e reputação daqueles que todos os dias lutam para assegurar que mais e melhor investimento (inter)nacional chegue à Região Autónoma da Madeira?
- Por quanto tempo é que os stakeholders vão andar impávidos e serenos até que o CINM seja posto em causa, quiçá aquando das próximas negociações com a Comissão Europeia, por via das calúnias que se têm levantado contra este no Parlamento Europeu?
Que é feito de todo o esforço coletivo que existiu no movimento “Todos Pelo Centro, Todos Pela Madeira” e que é hoje mera miragem do passado? Que é feito da indignação que era transversal às principais forças políticas? Que é feito da representação de interesses da ACIF-CCIM e dos trabalhadores do CINM? Que é feita da política de relações públicas que houve em 2012?
É inconcebível o permanente silêncio que se verifica em torno dos ataques feito ao CINM.
Bem sei que as autárquicas, o verão e a silly season não deixam tempo para assuntos maçadores. Mas a grande maçada poderá estar à porta ainda antes de 2027. Vão deixar que os falsos factos se tornem verdades? Vão deixar tudo para a última da hora como em 2012?
“Quem cala consente” e “no inferno os lugares mais quentes são reservados àqueles que escolheram a neutralidade [silêncio] em tempo de crise”. Esperemos que o silêncio de agora não se torne em lesa pátria futura.

