O Despertar do Dragão


Dragão Chinês
“Há 70 anos atrás, o Povo Chinês não podia imaginar que um dia o seu país poderia mudar tanto de um minuto para o outro. Em 60 segundos o comboio de alta velocidade Fuxing cobre uma distância de quase 6 Km; a cada 60 segundos são realizados mais de €77,46 milhões de euros em pagamentos móveis [tipo MB Way]; a cada 60 segundos o PIB chinês cresce 20,3 milhões de euros; a cada 60 segundos são re-pavimentados 475 metros de estrada na China rural; e a cada 60 segundos são exportadas mercadorias no valor de 3,8 milhões de euros.”— CGTN. Estes números evidenciam o trabalho levado a cabo pelo Partido Comunista Chinês (PCC) desde a proclamação da República Popular da China, em 1949, e que culmina hoje no facto deste país ser a segunda maior economia do planeta. Desde a cobertura da rede ferroviária à produção de energia renovável, passando pelo Ensino, a China é hoje líder a nível mundial ou caminha a passos largos para tal. No entanto, o caminho de rejuvenescimento da nação Chinesa é ainda longo.

 


 

Depressa, o mundo ocidental terá que aprender a dialogar, em pé de igualdade, com os “filhos do Dragão”, e terá que perceber o seu pensamento político: o Socialismo com Características Chinesas (cuja legitimação é feita pela obtenção de resultados concretos e práticos no que diz respeito à melhoria geral, e sustentada, das condições sócio-económicas de 1,386 bilhões de Chineses).

 

Por seu turno, a China (e o PCC), no seu diálogo de cooperação (e estratégia win-win), com o Ocidente terá de perceber que existirão alturas em que será inevitável adaptar-se. A atual instabilidade social na Região Administrativa Especial (RAE) de Hong Kong, cujas causas são variadas, poderá ser um desses primeiros exemplos de adaptação forçada.

 

Quando o PCC perceber que parte da solução de Hong Kong passa pela implementação de eleições diretas para o Chefe do Executivo e para a Assembleia Legislativa, no estrito cumprimento do princípio “um-país-dois-sistemas”, então o ocidente perceberá que a China política de há 70 anos não é a mesma. Ainda que diferentes, são iguais. As reformas constitucionais necessárias em Hong Kong não seriam um “perder de face”, mas sim o cumprir das palavras do Presidente Xi Jinping: “Temos que ter sempre em conta que a esperança do Povo por uma vida melhor é, e será sempre, o nosso objetivo último.”

 

Se a actual Lei Básica da RAE Hong Kong não serve o objectivo último do PCC e se os seus residentes têm o desejo de eleger directamente alguém que os represente e lhes providencie uma vida melhor então o caminho pragmático já está definido, haja coragem para efectivamente se cumprir “um-país-dois-sistemas”. Afinal, se o Governo da RAE andou durante mais 20 anos a acumular superávits orçamentais num valor médio anual de cerca de 4% do PIB, os quais têm sido utilizados para favorecer o tecido empresarial (ou de forma despesista), em detrimento do investimento em políticas sociais concretas de apoio à população jovem e idosa, é natural que os residentes queiram um aprofundar do sistema democrático na RAE no estrito âmbito de “um-país-dois-sistemas”.

 

O despertar do Dragão começou há 60 anos, aos seus filhos compete mantê-lo acordado neste século que lhe pertence por direito, e a necessária reforma política da RAE de Hong Kong é uma das muitas direcções que levam o Dragão ao caminho do rejuvenescimento da nação Chinesa como um todo.

 

“Existe um bom governo quando aqueles que estão próximos são felizes e quando aqueles que estão longe desejam vir.” – Confúcio

 


in JM-Madeira



 


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