Passados 102 anos depois do massacre da Família Imperial Russa e 100 anos depois da fundação do Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (Partido Nazi), o Parlamento Europeu (PE), casa da Democracia da União Europeia, aprovou, em Setembro passado, a moção intitulada: “Importância da memória europeia para o futuro da Europa”, (documento n.º P9_TA(2019)0021, disponível para consulta em: https://tinyurl.com/nazicomu).
Neste documento histórico a União Europeia colocou comunismo e nazismo em pé de igualdade. O PE foi claro nas suas palavras: “Os regimes nazi e comunista são responsáveis por massacres, pelo genocídio, por deportações, pela perda de vidas humanas e pela privação da liberdade no século XX numa escala nunca vista na História da Humanidade, e relembra o hediondo crime do Holocausto perpetrado pelo regime nazi; condena veementemente os atos de agressão, os crimes contra a humanidade e as violações em massa dos direitos humanos perpetrados pelos regimes nazi e comunista e por outros regimes totalitários”.
Mais, o PE “condena o revisionismo histórico e a glorificação dos colaboradores nazis em alguns Estados-Membros da UE; manifesta profunda preocupação com a crescente aceitação de ideologias radicais e o retorno ao fascismo, ao racismo, à xenofobia e a outras formas de intolerância na União Europeia, e considera perturbadores os relatos de conluio de líderes e partidos políticos e forças da ordem com movimentos radicais, racistas e xenófobos de vários quadrantes políticos em alguns Estados-Membros; insta os Estados-Membros a condenarem veementemente tais atos, na medida em que comprometem os valores da paz, da liberdade e da democracia preconizados pela UE”.
Por último, mas não menos importante, o PE pede que “todos os Estados-Membros comemorem em 23 de agosto o Dia Europeu da Memória das Vítimas de Regimes Totalitários, tanto a nível da UE, como a nível nacional, e a sensibilizarem as novas gerações…; insta os Estados-Membros a condenarem e a combaterem todas as formas de negação do Holocausto, incluindo a banalização e a minimização dos crimes perpetrados pelos nazis e seus colaboradores; e apela, além disso, a que o dia 25 de maio (aniversário da execução do herói de Auschwitz, Witold Pilecki), seja proclamado Dia Internacional dos Heróis da Luta contra o Totalitarismo, em sinal de respeito e de homenagem a todos aqueles que, ao combaterem a tirania, deram provas do seu heroísmo e da sua verdadeira estima pela Humanidade…”.
Algumas notas sobre este assunto:
1. Parabéns a Sara Cerdas, Eurodeputada do PS-Madeira, por ter votado a favor desta moção. Onde estava Cláudia Monteiro de Aguiar, Eurodeputado do PSD-Madeira? Porque faltou à votação deste documento?;
2. Para quando a condenação pública do PCP e BE, partidos que, para além de comunistas, apoiam publicamente regimes ditatoriais (Venezuela, Cuba e Coreia do Norte) e a subversão do Estado de Direito de Estados-Membros da UE (veja-se o caso do apoio à independência da Catalunha do Reino de Espanha)?;
3. Para quando uma sessão solene, de cariz anual, na ALRAM em memória das Memória das Vítimas de Regimes Totalitários e dos Heróis da Luta contra o Totalitarismo? Talvez na mesma data da celebração da Revolução da Farinha. Convém também lembrar que se o 25 de Novembro fosse avante, a Região Autónoma da Madeira não seria aquilo que é hoje.
in JM-Madeira

