
Ignorar o papel da CECA, da Comunidade Económica Europeia (CEE) e da União Europeia (UE) neste feito é impossível. E por detrás deste enorme feito estão os 11 pais fundadores da UE: Paul-Henri Spaak, Primeiro-Ministro do Reino da Bélgica e principal responsável pelo Tratado de Roma (1957); Jean Monnet, diplomata francês responsável pelo reaproximação entre a Alemanha e a França; Robert Schuman, Ministro dos Negócios Estrangeiros da República Francesa responsável pela idealização da CECA; Altiero Spinelli, membro da resistência italiana na II Guerra Mundial, autor do Plano Spinelli o qual viria a culminar no Tratado de Maastricht (1992); Alcide De Gasperi, Primeiro-Ministro da República Italiana, e idealizador do Conselho da Europa, uma organização inter-governamental com vista a re-aproximar os governos europeus no pós-guerra; Joseph Bech, Primeiro-Ministro do Grão-Ducado do Luxemburgo, e facilitador na criação da CECA ao organizar a Conferência de Messina; Sicco Mansholt, membro da resistência neerlandesa durante a II Guerra Mundial, assistiu à Grande Fome Neerlandesa, experiência que o marcou e o fez idealizar a Política Agrícola Comum (PAC) como forma de tornar a Europa o mais auto-sustentável possível em termos agrícolas; Johan Beyen, Ministro do Negócios Estrangeiros dos Países-Baixos, principal arquitecto do mercado único; Winston Churchill, Primeiro-Ministro britânico e acérrimo defensor dos Estado Unidos da Europa; Konrad Adenauer, Chanceler da República Federal da Alemanha e responsável por reatar as relações franco-germânicas; e Walter Hallstein, primeiro Presidente da Comissão da CECA e responsável por alargar o mercado único a outro bens.
Ignorar o trabalho e esforço de Paz destes 11 homens é ignorar tudo o que a União Europeia tem feito ao longo da maior período de paz que este continente já viveu, é ignorar o desenvolvimento sócio-económico alcançado por 50 países, onde mais de metade, atualmente 28 e com a saída do Reino Unido 27 países, optaram por cooperar no maior projecto democrático e político alguma vez arquitetado na História da Humanidade.
Nas sempre atuais palavras de Jean Monet: “Não haverá paz na Europa, se os Estados forem reconstituídos com base na soberania nacional … Os países da Europa são demasiado pequenos para garantir aos seus povos a prosperidade e o desenvolvimento social necessários. Os estados europeus devem se constituir em uma federação …”. A UE não é perfeita, está longe de o ser, mas pensar que o soberanismo, defendido por certos partidos como a Aliança e o CDS-PP, e o nacionalismo como defendido pelos anti-democráticos PCP, BE, Verdes e extremas-direitas são a solução, é mera ilusão. Num mundo cada vez mais globalizado, quanto mais depressa avançarmos para os verdadeiro Estados Unidos da Europa, maiores serão as possibilidade de um crescimento sócio-económico sustentável no longo prazo dominado por potência económicas não democráticas.
in SOL
