Vai fazer mais de um mês que na Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) não existem casos de 2019-nCoV causados pelo COVID19, e tudo se deve às fortes medidas preventivas impostas pelo Governo da RAEM e à forte responsabilidade social dos residentes da RAEM, ganha aquando do último caso de SARS no território.
Uma das medidas impostas pelo Governo, ainda que a população de Macau se tenha antecipado a estas, é a utilização de máscaras, sejam elas cirúrgicas com filtro N95 ou do tipo N99. Como é do conhecimento ocidental, regra geral quando algum asiático está constipado ou apresenta sinais de doenças respiratórias este usa em público uma máscara.
Porém, em Portugal, na Europa e até a própria OMS dizem: “Se é saudável, só precisará usar uma máscara se cuidar de uma pessoa com suspeita de infecção 2019-nCoV.” Mais, os responsáveis de saúde afirmam que só se deverá “usar uma máscara se estiver tossindo ou espirrando.” Estas medidas são diferentes daquelas recomendadas pelo Governo da RAEM o qual (in)directamente recomenda sempre o uso de máscara em público ou em contexto de trabalho, em combinação com a limpeza frequente das mãos com álcool ou água e sabão.
De facto, as máscaras cirúrgicas ou respiradores N95 foram as medidas de suporte mais consistentes e abrangentes no que diz respeito às intervenções físicas para interromper ou reduzir a propagação de vírus respiratórios, nomeadamente no último surto de SARS. Esta conclusão científica foi publicada na Cochrane Systematic Review, num estudo que analisou mais de 257 artigo científicos sobre medidas de isolamento, quarentena, distanciamento social, barreiras, proteção pessoal e higiene das mãos. (Jefferson T, Del Mar CB, Dooley L, Ferroni E, Al‐Ansary LA, Bawazeer GA, van Driel ML, Nair S, Jones MA, Thorning S, Conly JM. Physical interventions to interrupt or reduce the spread of respiratory viruses. Cochrane Database of Systematic Reviews 2011, Issue 7. Art. No.: CD006207. DOI: 10.1002/14651858.CD006207.pub4.)
Posto isto, as únicas razões possíveis pelas quais as autoridades de saúde ocidentais não recomendam o uso generalizado de máscaras, em combinação com a limpeza frequente das mãos com álcool ou água e sabão, só se poderão prender com a atual escassez em termos de stocks (devendo nestes casos os profissionais de saúde, esse recurso precioso em momentos de crise, ter prioridade no seu acesso) e a inépcia dos governos ocidentais em assegurar a sua compra atempada, como fez o Governo da RAEM para assegurar a sua distribuição à população residente.
Se as autoridades Portuguesas ainda estiverem a tempo, as mesmas deverão não só proceder à aquisição de máscaras e garantir a sua distribuição e/ou venda a preços não inflacionados à população. Juntamente, com esta medida deverá ainda divulgar medidas de correto uso e respectivo descarte das máscaras em conjunto com a limpeza frequente das mãos com álcool ou água e sabão e o distanciamento social. “É Melhor Prevenir do que Remediar.” – Ditado popular.
in JM-Madeira
