Inovação?



Nem Portugal, nem a União Europeia, farão parte da lista de inovadores responsáveis pela disrupção, e criação, da economia do futuro. Esse papel será assumido pela República Popular da China (RPC) Senão vejamos: 

 

Inteligência Artificial: O Conselho de Estado da RPC já determinou que em 2030 o país será a potência mundial em inteligência artificial (tal como em 1990 tinha determinado que a Bolsa de Shanghai estaria entre as TOP 5 a nível mundial em 2010). De acordo com a política do Conselho de Estado, o governo chinês, deverá investir, até 2030, cerca de 150 bilhões de dólares americanos neste sector. Para além do investimento público, o qual pretende abranger todos os setores da sociedade, da segurança/defesa até às finanças, os fundos privados de capital de risco também já investem em inteligência artificial em valores que ultrapassam em 48% dos valores investidos nos EUA (Diamandis, 2018).

 

Uma Aplicação Gratuita para Tudo: Ao contrário dos altamente regulamentados e oligopolistas setores financeiros português e europeu, o setor financeiro chinês abraçou desde cedo as novas tecnologias e formas de pagamento móvel. Através de uma única “super aplicação” móvel, o WeChat, a qual combina serviços semelhantes aos do WhatsApp, Facebook e Instagram, foram transaccionados, só em 2016, mais de 3 trilhões de dólares americanos. Isto porque, essa mesma aplicação é utilizada para efetuar pagamentos de bens e serviços junto de qualquer entidade aderente (53% das empresas na China aceitam o WeChat como meio de pagamento e/ou o AliPay, uma aplicação concorrente), pagamento de impostos e transferências imediatas de dinheiro entre utilizadores dessa aplicação. 

 

Hoje em dia essa mesma aplicação serve ainda de cartão de cidadão e permite efetuar pedidos de divórcio, para além de fornecer serviços mais comuns, como por exemplo: comprar bilhetes de cinema, comboio ou avião, alugar bicicletas por €0,25, guardar cartões de fidelidade, reservar hotéis, fazer compras online, encomendar refeições, reservar restaurantes, gerir a conta bancária, chamar um táxi (ou serviço de transporte privado), etc… 

 

 Zero Barreiras: O ritmo de inovação a que se assiste na China deve-se a vários fatores, dois dos quais são importantes destacar: a quase inexistência de um ambiente pré-regulatório, isto é, só existe regulação depois de se verificar o impacto desta no mercado, algo completamente contrário às práticas europeias; e o potencial de exploração de dados, o novo petróleo da economia do futuro, que apenas um mercado com uma população de 1.403.500.365 pode oferecer.

 

Muito pode ser investido na inovação por parte do Estado Português e/ou da UE, não obstante é importante que Governos, e sobretudo Governantes, sejam capazes de aprender algumas lições com a RPC, nomeadamente no que diz respeito à envolvente regulatória, institucional e educacional, se pretendem alcançar algo próximo daquilo que é já inalcançável aos primeiros: o lugar de topo na corrida à capitalização do “novo petróleo”. 

 

 P.S.: O Vice-Reitor da Universidade da Beira Interior revela uma total e completa ignorância relativamente ao funcionamento do Centro Internacional de Negócios da Madeira (CINM) graças ao artigo publicou, no passado dia 7 de Novembro de 2018, no Jornal do Fundão. A posição deste Professor revela também o problema da falta de lobby que assola o CINM.

 

P.P.S.: Parabéns à Iniciativa Liberal por ter sido o primeiro partido a insurgir-se contra a posição “centralista, ilegal e antidemocrática” assumida pelo Conselho Consultivo da Procuradoria-Geral da República em relação à Comissão de Inquérito da ALRAM relativamente ao “caso TAP”.

 



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