Duna, 1965












Princesa Irulan da Casa Corrino – Duna
Artista: Greg Ruth

Frank Herbert (1920-1986) foi um fotógrafo da Marinha dos EUA, veterano da II Grande Guerra Mundial, escritor de discursos do Senador Guy Gordon, pelo estado de Oregon, e autor da saga de ficção científica mais vendida de sempre, “Duna”. 

 

Foi através desta saga que Herbert transmitiu, quiçá, a melhor aula de ciência política de sempre ao eleitorado dos tempos modernos. 53 anos depois, e com eleições à porta, presto aqui a minha homenagem a um autor profícuo e alguma “food for thought” (alimento para mente), para o eleitorado Madeirense, em particular, e para o Português, em geral: 


  • Lição 1: “Assim como os indivíduos nascem, amadurecem, se reproduzem e morrem, o mesmo acontece com as sociedades, civilizações e governos.” 

  •  Lição 2: “Os governos, que se preservarem, tendem sempre para cada vez mais para formas aristocráticas. Nenhum governo na História é conhecido por ter fugido deste padrão. À medida que esta aristocracia se desenvolve, o governo tende mais e mais a agir exclusivamente no interesse da classe dominante – seja essa classe uma realeza hereditária, oligarcas de impérios financeiros ou uma burocracia entrincheirada.” 

  • Lição 3: “O que a religião e os interesses pessoais não podem esconder, os governos podem.” 

  • Lição 4: “Um bom governo nunca depende de leis, mas das qualidades pessoais daqueles que governam. A maquinaria do governo está sempre subordinado à vontade daqueles que administram essa mesma. O elemento mais importante do governo, é, portanto, o método de escolha dos líderes.”

  • Lição 5: “Todos os governos sofrem de um problema recorrente: o poder atrai personalidades patológicas. Não é que o poder corrompa, mas este é magnético para o corruptível.” 


 No momento em que exercermos o nosso direito de voto é importante considerar as lições acima deixadas por Herbert. É importante agir consciente e racionalmente face aos políticos, aos discursos que estes apresentam (ou a ideias que nos ocultam) e à forma como os mesmos pretendem solucionar os problemas através da engrenagem da qual todos nós fazemos parte: o Estado. 

 


Nas palavras de Herbert, nós eleitores não podemos continuar a ser aquela “pessoa que aceita banal e comum [aquilo que consideramos estar errado]” e se sente aterrorizado quando alguém ilumina tal erro.

 

Nós não podemos continuar a “querer que as nossas ideias não mudem”, por “nos sentirmos ameaçados por tais exigências”. “Sem mudança, algo dorme dentro de nós e raramente desperta. Aquele que dorme deve despertar”, sob pena de continuarmos subjugados a um Estado, cada vez mais orwelliano, viciado em impostos e servindo pouco mais do que o necessário para se manter como tal.

 


in JM-Madeira




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