A Região Autónoma da Madeira necessita de internacionalizar a sua economia, como forma de captar recursos externos, mais do que nunca.

A internacionalização da economia madeirense não pode depender de uma ACIF-CCIM mais preocupada em promover concursos de montras em época natalícia do que em estabelecer um efetivo networking com indivíduos e empresas internacionais capazes de realizar investimentos em larga escala no setor dos serviços transacionáveis e através do CINM. Por seu turno o Governo Regional da Madeira e a Universidade da Madeira, em vez de procurarem permanentemente por uma subsidiodependência do Orçamento de Estado no âmbito ensino superior, deverão encontrar formas de cooperar e de realizar projectos sinergéticos que visem a afirmação do Ensino Superior na Madeira a nível internacional e com isso captar o interesse de instituições do ensino superior internacionais de renome e fundos europeus necessários à investigação e desenvolvimento. A era do betão acabou e há que seguir o exemplo de Singapura no setor do ensino superior.
De igual forma a Madeira não pode continuar desconhecida, a nível europeu e asiático, junto dos UHNWI. Há que colocar a Madeira no mapa para lá da geração decrépita de baby-boomers, na sua maioria ingleses, que pululam como baratas geriátricas no time share madeirense. Isso só será possível com ensino superior que invista e procure sediar, a nível nacional e europeu, centros de investigação de excelência em áreas nicho, como a economia digital, o fintech e/ou o ambiente. Compete ao Governo Regional, não só negociar com o Governo Central a sediação de tais centros de excelência, mas também implementar um sistema fiscal e de migração próprios que permitam a fácil captação e retenção de talento. Compete a todos os partidos e stakeholders combater a visão metropolitana de que “Portugal é Lisboa e o resto é paisagem”.
Mas a revisão da diplomacia economia e internacionalização da economia madeirense não termina aqui e com o rumo acima indicado a tomar. Governo Regional, Assembleia Legislativa da Madeira (ALRAM) e ACIF-CCIM precisam de olhar para além do horizonte com que se deparam em frente à Marina do Funchal. É necessário uma representação permanente da região em Bruxelas que responda e apresente os resultados de lobby perante a ALRAM, aliás como acontece com as regiões autónomas italianas. Uma representação permanente da RAM e separada da Região Autónoma dos Açores, formada por lobistas que conheçam as entranhas e patranhas do lobby junto das instituições europeias e que consigam formar relações duradouras de respeito e de alianças com stakeholders europeus capazes de influenciar positivamente políticas que impactem o futura da nossa região ultraperiféria.
P.S.: Que tal PS e PSD colocarem de lado os “machados de guerra” e convencerem as Eurodeputadas Madeirenses, o Governo Regional, a SDM e a ACIF-CCIM a realizarem uma exposição no Parlamento Europeu subordinada ao impacto positivo da Zona Franca da Madeira na economia regional desde os anos 80? Sempre é melhor do que fazer exposições sobre produtos licorosos e bordados. E talvez assim se inicie a tão necessária diplomacia económica que não assente no copy-paste dos vistos Gold e Regime dos Residentes Não Habituais continentais
in JM-Madeira
