Democracia, Millennials e Geração Z

A política nacional parece ter chegado ao princípio do fim.

Dominada pelas aparências, a forma de fazer política parece ter-se reduzido ao simples acto de reagir com base no “feedback” obtido junto das redes sociais, deixando para trás qualquer forma de proatividade e estratégia com vista à convergência com os Estados-Membros da União Europeia.
Aos eleitores e aos contribuintes são feitas promessas, sem sequer se apresentarem planos concretos que possam ser democraticamente debatidos por todos, ou sem mencionar quaisquer impactos orçamentais. Cria-se assim uma ilusão de abundância de fundos e de desenvolvimento económico na esperança da perpetuação do exercício do poder público, sem quaisquer consequências.
Não se vislumbram planos de ação de longo prazo. Não se consultam, de forma isenta, os especialistas nas mais diferentes matérias. Não se discute de forma verdadeiramente democrática, e, no entanto, transmite-se tudo aquilo que é irrelevante: troca de acusações, atirar de culpas para mandatos passados, autopromoções, apoios a “projetos de estimação” da mais variada índole, e tudo isto com o, aparentemente, tácito apoio das estruturas políticas, subsidiadas com dinheiro público. Dá-se prioridade ao “status quo” em vez de, efetivamente, se defenderem os interesses das duas gerações que mais peso terão em futuras eleições: os “Millennials” (aqueles nascidos entre 1980 e 2004) e a Geração Z (aqueles nascidos após 2004).
Sob o peso dos Baby Boomers (aqueles nascidos entre 1940 e 1960) e de uma parte da Geração X (aqueles nascidos entre 1960 e 1979), que beneficiaram largamente dos frutos da Revolução do 25 de Abril, o sistema político português é utilizado para prolongar os privilégios destas duas gerações ao impedir não só a renovação geracional do tecido político-económico português, mas também recompensando “ilicitamente” uma parte dos Millennials que operam a seu favor.
O Estado de Direito está refém destas duas gerações que se instalaram no pós 25 de Abril, correndo o sério de risco de perderem toda a legitimidade associada ao sistema democrático que lhes é inerente, se não responderem eficaz e eficientemente aos múltiplos anseios das duas gerações que se seguem, nomeadamente: os desafios ambientais, a empregabilidade associada a uma remuneração dentro da média europeia, a integração numa economia cada vez mais digitalizada e controlada pela Inteligência Artificial e a manutenção de um Estado Social avançado.
Da mesma forma que os políticos portugueses têm que repensar a sua “estratégia” para o país, os empresários são também chamados a responder aos anseios das gerações mais novas.
A crescente mobilidade no seio da UE, o conhecimento dos respectivos níveis salariais e dos direitos dos trabalhadores noutros Estados-Membros da UE poderão contribuir para uma ainda maior fuga de cérebros em Portugal. Compromete-se, assim, o futuro do tecido empresarial português, o qual pouco vale sem mão-de-obra qualificada e altamente qualificada.
Muito dependerá da capacidade de se porem a par, e colocarem no terreno as melhores práticas da UE, em vez de atuarem com base na contratação de mão-de-obra barata, a qual associam a um lucro fácil e a maiores dividendos no curto prazo.
Urge uma mudança de atitude na vida político-económica em Portugal, sem qual o país arrisca-se a definhar ainda mais num marasmo classista, onde Baby Boomers e parte da Geração X afoga a economia e a política, promovendo um ambiente social altamente propício ao envelhecimento populacional e ao êxodo dos Millennials e da Geração Z.

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