ALRAM

Conferência de Imprensa – JPP – 31 de Janeiro de 2024

A utilização da Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira (ALRAM) pelo grupo parlamentar do Juntos Pelo Povo (JPP) para abordar questões estritamente municipais, como os gastos da Câmara Municipal do Funchal em viagens e alojamentos, levanta preocupações significativas sobre a finalidade e a integridade deste órgão legislativo. A ALRAM, como um parlamento regional, deve centrar-se em assuntos de importância regional, buscando soluções transformadoras e estratégicas que beneficiem toda a comunidade autónoma. Ao transformar-se num palco para discussões paroquiais ou municipais, corre-se o risco de diluir o seu propósito e prejudicar a sua reputação institucional.

É compreensível e necessário o escrutínio sobre o uso dos recursos públicos pela Câmara Municipal do Funchal, especialmente quando se alega um despesismo que impacta diretamente os cidadãos locais, como é o caso do aumento no custo da água e da gestão de resíduos sólidos. No entanto, a plataforma escolhida para tal crítica, a ALRAM, é totalmente inadequada. Este tipo de conferência de imprensa deveria ocorrer na sede da JPP, ou frente à Câmara Municipal do Funchal.

O desvio do foco da ALRAM para questões que são da competência dos municípios cria um precedente perigoso, onde linhas entre responsabilidades regionais e municipais tornam-se turvas. Isso não apenas distrai os legisladores de assuntos de maior envergadura que afetam toda a Madeira e Porto Santo, mas também pode contribui para uma percepção pública de que a ALRAM é um espaço para qualquer tipo de queixa ou crítica, independentemente de sua pertinência ao nível regional.

Além disso, a questão levantada pelo JPP, embora importante, deve ser abordada através de canais mais adequados, como acima referido.

Enquanto é vital que os representantes eleitos questionem e responsabilizem os municípios pelas suas decisões financeiras, é igualmente crucial que mantenham a integridade e o foco dos órgãos legislativos aos quais pertencem. O caso em questão destaca a necessidade de clareza nas funções e responsabilidades dos diferentes níveis de governo, assegurando que cada um possa agir de maneira eficaz dentro de seu próprio âmbito de competência, sem prejudicar o propósito ou a percepção de outros órgãos governamentais.