
Se é certo que hoje em dia Portugal é o segundo país da União Europeia com mais recepção de investimento chinês, é também importante referir que sectores estratégicos do ponto de vista da segurança e defesa, como a eletricidade e água, estão sob controlo total ou parcialmente da maior potência económica mundial, cujo governo não é democrático à excepção das suas duas Regiões Administrativas Especiais, Macau e Hong Kong.
Numa altura em que a União Europeia, através do Parlamento Europeu, tenta colocar um travão ao investimento (aquisição), em setores estratégico das economias europeias, Portugal tem que rever a sua estratégia de recepção de investimento, o qual não deve negar, enquanto não puser em causa a sua segurança e soberania futuras. Ao mesmo, tempo deverá agir como um dos poucos mediadores privilegiados entre a China e a UE, fazendo uso do seu altamente competente aparelho diplomático (o qual já colocou Guterres na ONU e Barroso na Comissão Europeia).
O século XXI será dominado por vários desafios, para os quais os governos estão, actualmente, pouco preparados para enfrentar: as alterações climáticas, a digitalização e robotização da economia, a resolução das crises migratórias através da estabilização dos países emissores de refugiados e “refugiados” e a ascensão da República Popular da China como líder, não democrático, em todos esses temas.
A Portugal, e ao União Europeia, é pedida uma adaptação da sua posição face à República Popular da China, uma adaptação que exige equilíbrio, determinação e resposta a “uma só voz” na abordagem ao antigo Império do Meio.
Equilíbrio pois, do ponto de vista económico não se recusa o investimento de uma potência económica, mas também não se pode hipotecar os valores democráticos e soberanos das gerações futuras.
Determinação, pois contrapartidas e mecanismos de “checks and balances” deverão ser exigidos sempre que haja investimento chinês, enquanto que os setores estratégicos, do ponto de vista da defesa e compromisso para com os nossos aliados militares, deverão ser blindados.
Resposta a “uma só voz” tem que ser encontrada pela União Europeia, da qual Portugal é Estado-Membro, pois na relação político-económica com um gigante “A União Faz a Força”, já diz o lema oficial do Reino da Bélgica.
in JM-Madeira
