A notícia avançada pelo JM-Madeira na passada terça-feira, dia 25 de Julho, é deveras preocupante para o Centro Internacional de Negócios da Madeira (CINM): a saída de três empresas do CINM gera um rombo fiscal de 20 milhões na receita de IRC da RAM. A causa? De acordo com o Secretário Regional das Finanças, o constante ataque à reputação do CINM.
Se é certo que membros dos partidos políticos que suportam a “Geringonça” atacam, a todos os níveis, o CINM, colocando a sua reputação em causa, também é certo que nós, stakeholders, estamos a dar-lhes o petróleo para nos queimarem, isto porque a política de relações públicas do CINM é desajustada face à realidade informativa dos dias de hoje.
Ao contrário dos Governos de Malta e das Ilhas Virgem Britânicas (“BVI”), que defendem imediatamente o seu regime fiscal assim que estes são atacados por uma qualquer entidade ou figura pública externa (ou interna) ao utilizarem todos os meios mediáticos ao seu dispor, os stakeholders regionais, incluindo certos partidos políticos com assento na Assembleia Legislativa Regional, são de uma passividade quase que completa, salvo certas excepções.
As relações públicas do CINM não podem basear-se numa óptica meramente reativa. Concessionária, Governo Regional e demais stakeholders necessitam de coordenar e partilhar esforços, tornando as relações públicas do CINM mais proativas do que reativas. Qualquer argumento esgrimido contra o CINM seja a nível Europeu, nacional ou regional tem de ser prontamente respondido à letra e refutado, na hora.
Adicionalmente, a representação de interesses no seio da União Europeia e da República é crucial para a prossecução da defesa do CINM. As entidades regionais não se podem fazer valer apenas da boa vontade dos (Euro)deputados nacionais e das negociações de bastidores. Os stakeholders do CINM, todos sem excepção, são chamados a registarem-se como lobistas no seio das instituições europeias e a fazerem uso de tal estatuto para se poderem fazer ver e ouvir de uma forma transparente nos centros de decisão.
Porém, a proatividade das relações pública do CINM não se esgota na representação de interesses, na constante presença positiva junto dos media e na refutação da contra-informação.
A transparência, a coerência do tratamento dos dados estatísticos e a divulgação do real impacto económico do CINM na RAM e em Portugal são permanentemente necessários. Neste aspeto as BVI são um exemplo a seguir: desde meados deste ano que praticamente todos os dias a agência BVI Finance, que representa os stakeholders daquela jurisdição, tem bombardeado, constantemente, todos os meios de comunicação ao seu dispor com estudos e estatísticas que mostram a importância do seu regime não só para a as BVI, mas também para a economia mundial.
Num mundo cada vez mais inundado de informação e contra-informação, quem não se faz ouvir torna-se invisível e dispensável perante outros ao deixar a mentira persistir.
As relações públicas do CINM, e consequentemente a sua reputação no exterior, não podem viver de uma espécie de diplomacia neutra de cubos de gelo em copos de cristal e efes-e-erres. Mais e melhor tem de ser feito para salvaguardar os interesses de Portugal e da Região Autónoma da Madeira.
Inspiração e exemplos não faltam: basta olhar para as políticas de relações públicas dos nossos concorrentes diretos. Proatividade, representatividade de interesses (lobby), vocalidade e exposição constante são necessários para garantir a credibilidade e solidez do CINM junto dos investidores e decisores.
Sem a comunhão de esforços de todos os stakeholders não se poderá levar a bom porto o sucesso do Centro Internacional de Negócios da Madeira e consequentemente a afirmação da Economia da Região Autónoma da Madeira.
in JM-Madeira

