Excelência Reverendíssima, Escrevo-lhe não na qualidade de fiel, mas de Madeirense residente na Diocese na qual V.Ex.ª Rev.ma agora ministra e a qual possui mais de 500 de História.
| Armas de Fé de D. Nuno, Bispo do Funchal |
Quase tantos anos quantos aqueles que perfazem o Descobrimento desta agora Região Autónoma da Madeira. Passados 500 anos desde a sua fundação, é com desencanto que encaro o facto de nenhum dos antecessores de V.Ex.ª Rev.ma ter adoptado um brasão de armas para uma diocese, que em tempos foi a maior arquidiocese da história da Humanidade.
Ainda que a prática de S.E.R. D. António III Bispo-Emérito do Funchal, tenha sido de associar as suas armas de fé à imagem da Diocese, prática que actualmente V.Ex.ª Rev.ma parece seguir, pelo menos tendo em conta o website oficial da Diocese, sugiro a V.Ex.ª Rev.ma que procure adoptar um brasão de armas diocesano, à semelhança de outras dioceses europeias.
Um brasão de armas diocesano permitiria à Diocese adoptar um símbolo que verdadeiramente a representasse e a projectasse, quer não só em termos históricos, mas também em termos culturais e de legado que marcou, e marca múltiplas gerações de Católicos madeirenses e portossantenses que ao longo do anos tem servido.
Compreendo que este assunto não seja prioritário nas múltiplas responsabilidades espirituais e temporais que V.Ex.ª Rev.ma desempenha, no entanto seria não só um belo gesto adoptar um brasão de armas para a Diocese num ano em que a Região Autónoma celebra 600 anos desde a sua descoberta, mas também por entender, na minha humilde opinião, que as armas de fé de um Bispo não podem condensar todo um legado histórico e espiritual de uma diocese.
Termino esta missiva desejando-lhe todo o sucesso e felicidade neste novo cargo, na esperança de que acolha esta minha humilde sugestão. E certo de que V.Ex.ª Rev.ma é conhecedora de que a adopção de armas de diocesanas, por decisão do Bispo e da sua Cúria Diocesana, é um processo que deve seguir as regras e práticas da ciência e arte heráldicas, não podendo estas serem subvertidas por forma a tornar o brasão num mero logótipo corporativo.
Sem outro assunto, subscrevo-me com a mais elevada consideração,
Miguel Pinto-Correia
in JM-Madeira

