uso do cargo para benefício pessoal

Entre a gula de He Shen e a severidade de Bao Zheng

Algumas civilizações encaram a corrupção como um desvio administrativo; outras, mais antigas e mais sábias, tratam-na como uma heresia política. A China clássica pertence claramente à segunda categoria. Para ela, o uso do cargo para benefício pessoal não é apenas uma falha ética ou um problema de compliance avant la lettre: é uma violação da

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anular o voto nas presidenciais

Anular o Voto nas Presidendicias: Um Ato de Consciência

Anular o voto nas presidenciais não é, como se repete com insistência pedagógica, um gesto de evasão cívica, nem um confortável refúgio na neutralidade. É, nas circunstâncias presentes, um ato político consciente, afirmativo e moralmente coerente. Mais ainda: é um gesto de desobediência cívica dentro da legalidade formal, dirigido não contra este ou aquele candidato

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Quebeque

Apagar a Coroa: o Republicanismo Pequeno e Ressentido do Quebeque

O gesto do Governo do Quebeque ao remover a coroa britânica do seu brasão provincial não é um acto de modernização, nem de autonomia, nem sequer de coerência histórica. É um acto de vandalismo simbólico, praticado em nome de um republicanismo ressentido, juridicamente frágil e intelectualmente preguiçoso. Trata-se de uma operação ideológica travestida de “actualização

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A venda do Hospital Dr. Nélio Mendonça

A venda do Hospital Dr. Nélio Mendonça e o crepúsculo do património público

A venda do Hospital Dr. Nélio Mendonça pertence a essa categoria rara e grave de atos políticos que, independentemente da sua legalidade formal, denunciam uma rutura civilizacional: a passagem silenciosa do bem público entendido como herança comum para o bem público tratado como ativo liquidável. O Governo Regional, enquanto instituição, habituou os Madeirenses a afirmar,

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40 Anos de Portugal na UE

40 Anos de Portugal na UE: Uma Fantochada

Durante quatro décadas, Portugal viveu sob a confortável ilusão de que a integração europeia equivaleria, quase automaticamente, à prosperidade. Entraram fundos, multiplicaram-se obras, inauguraram-se infraestruturas, modernizou-se a paisagem. Mas a pergunta essencial, aquela que separa nações adultas de economias dependentes, permanece sem resposta: onde está a riqueza criada de forma sustentada? Os 40 anos de

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Direito de voto em Portugal

Direito de voto em Portugal: porque decidir o destino do Estado exige mais do que existir

Há uma superstição moderna que raramente é questionada, mas que governa silenciosamente todo o edifício político contemporâneo: a ideia de que o direito de voto em Portugal deve ser automático, indiferenciado e imune a qualquer critério de competência. Basta existir, respirar e ter atingido a maioridade civil, e o poder político considera-o apto a decidir

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defesa do Centro Internacional de Negócios da Madeira

Ver a banda passar: o silêncio do Governo Regional e o futuro suspenso da Zona Franca da Madeira

Existem das expressões populares que dizem mais sobre regimes políticos do que muitos programas eleitorais. Ver a banda passar é uma delas. É a atitude de quem observa, impávido, enquanto decisões estruturais são adiadas, responsabilidades diluídas e o futuro tratado como um incómodo abstrato. Na Madeira, essa expressão tornou-se perigosamente adequada para descrever o atual

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acordo de investimento UE-China

O acordo de investimento UE-China e a velha condição europeia: protectorados satisfeitos

A Europa moderna gosta de se pensar como potência normativa, farol moral e gigante económico civilizado. Governa por regulamento, legisla por comunicado e sanciona com superioridade ética. No entanto, sempre que tenta agir como potência estratégica, descobre, com regularidade quase pedagógica, que não o é. O episódio do acordo de investimento UE China (CAI) não

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