Aliados



Numa altura em que em Washington D.C. se verifica a re-activação do lobby da Guerra Fria (Comissão sobre o Perigo Presente), liderado pelo extremista Steven Bannon, antigo conselheiro do Presidente Donald Trump, cujo novo inimigo é a República Popular da China (RPC) e numa altura de pura guerra comercial entre este país e os EUA, urge à União Europeia repensar a sua relação sobre o seu principal aliado militar.

 

Compete à União assegurar os valores primazes da democracia liberal no seu território, independentemente da relação que os EUA venham a ter com a RPC, através do desenvolvimento de uma capacidade militar independente, eficiente e o mais autónoma possível da NATO. O facto de membros da União não se encontrarem na NATO e o facto de certos membros da NATO não professarem dos mesmos valores democráticos da União coloca em risco a eficiência operacional concreta da mesma. Num futuro incerto, onde os EUA não serão a potência dominante, a União tem que ter a capacidade de se unir em torno de valores democráticos e liberais comuns e da neutralidade face à potência emergente (RPC) e à potência em declínio (EUA).

 

A União Europeia não pode continuar “atada” a uma potência que no passado tem dado provas atrás de provas de ingerência na soberania de nações (veja-se a usurpação do democrático Reino do Hawai’i), de espionagem dos próprios aliados (veja-se as escutas feitas à Presidência francesa e à Chancelaria alemã por parte dos EUA) e potencial contaminação biológica da própria população (o Pentágono foi ordenado a revelar se testou armas biológicas na própria população americana).

 

Tendo em conta que a Presidente-Eleita da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, pretende dar forma ao tão necessário Exército Europeu, urge também à União Europeia repensar a sua Política de Defesa e de Segurança Comum no sentido de esta se tornar o mais Europeia possível no que diz respeito à sua neutralidade, algo que não poderá ser garantido de todo no seio da NATO e tendo em conta atuais aliados problemáticos como os EUA e a Turquia.

 

No futuro a União precisará economicamente tanto da China como do instável EUA, porém não é certo que estes dois parceiros venham a estabilizar as suas relações. Por outro lado a Rússia continuará a ser uma mar de incertezas e de ameaça militar no Báltico e o Canadá e demais Parceiros Globais da NATO estão geograficamente distantes. Face a esta conjuntura o rumo à neutralidade militar e a necessidade de exercer músculo militar serão o único garante de um território democrático e livre no seio do velho continente.

 

Compete por isso à União e aos políticos da mesma aprender com a Confederação Suíça as lições de neutralidade, Direito Humanos e capacidade de resposta militar. Resta apenas saber se chegarão a tempo…

 

“O meu estatuto é tido como o mais elevado na Suíça: sou um cidadão livre.” – George Bernard Shaw

in JM-Madeira



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