Aeroporto de Beja

Aeroporto(s)

A República portuguesa, há muito sem estratégia económica sustentável
de longo prazo, prepara-se para, aparentemente, cometer um ‘suicídio’
estratégico no que diz respeito à decisão para uma potencial localização
de novo aeroporto.

O Aeroporto Humberto Delgado já atingiu a sua capacidade máxima de
crescimento devido ao cerco proporcionado pela expansão do município de
Lisboa, incompreensível do ponto de vista estratégico e de planeamento
urbano naquela direção. Tal facto, quando combinado com crescimento do
turismo, obriga a encontrar alternativas estratégicas de longo prazo,
que se coadunem com as presentes e futuras necessidades turísticas e que
ao mesmo tempo façam sentido do ponto de vista económico-estratégico.

Desde já, a situação economicamente mais credível, com vista a
satisfazer as necessidades turísticas e logísticas, seria a expansão do
atual Aeroporto Internacional de Beja. Beja apresenta várias vantagens:
pista com capacidade para receber A380s, possibilidade da expansão dos
terminais e do número de pistas no futuro (dada a sua localização
geográfica e condições topográficas do terreno), proximidade de carro da
capital exequível no espaço de 1h e 49 min.

Outra das vantagens da expansão do Aeroporto Internacional de Beja
seria a sua potencial conexão via TGV ou comboios de alta velocidade que
o ligariam à capital, a Faro, Espanha (servindo a popular Andaluzia) e
ao Porto de Sines, tornando e dinamizando a região numa plataforma
logística única que fariam de Portugal a verdadeira ponte económica
entre a UE, EUA, América Latina e África.

De igual modo a alternativa de Beja permitiria a manutenção da Base
Aérea N.º 6 MHIH (Base Aérea do Montijo) e do Campo de Tiro, em
Alcochete, ambos instalações da Força Aérea Portuguesa, evitando o
impacto ambiental da potencial necessidade de construção de uma terceira
ponte rodoviária e ferroviária sobre o Tejo, e do próprio aeroporto.

No cenário da opção do aeroporto de Beja, o importante é reduzir o
tempo de ligação ferroviária a Lisboa a uma hora. Porém não será nada
que a afamada ‘Bazuca Europeia’ não possa resolver dada a apetência da
União para o investimento nas ferrovias como forma de mobilidade
sustentável.

É importante referir que o Aeroporto de Beja funcionaria como um
aeroporto destinado à carga, às companhias aéreas low-cost e à
manutenção de aeronaves, ao passo que o atual Aeroporto Humberto Delgado
ficaria destinado às denominadas companhias aéreas de bandeira.

P.S. – Para quando a concessão da ‘quinta liberdade do ar’ aos
Aeroportos Internacionais Cristiano Ronaldo e João Paulo II, na Região
Autónoma da Madeira e na Região Autónoma dos Açores, respetivamente?
Condição essencial à diversificação económica destas regiões insulares e
ultraperiféricas portuguesas, à semelhança do que já acontece com os
aeroportos da Comunidade Autónoma de Canárias.

in SOL

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