A Zona Franca em Dois Actos

ACTO I – EQUILÍBRIO E ESPERANÇA

É de louvar o esforço da Eurodeputada Cláudia Monteiro de Aguiar em ter evitado, em conjunto com o Partido Popular Europeu, qualquer menção à Zona Franca da Madeira no âmbito do conjunto de recomendações feitas na sequência do inquérito sobre o branqueamento de capitais e a elisão e evasão fiscais levado a cabo pelo Parlamento Europeu.
Ainda relativamente ao relatório supramencionado é importante referir que Liliana Rodrigues, Eurodeputada Madeirense, não votou nas recomendações decorrentes do relatório (de acordo com informação avançada pela Vote Watch Europe – https://goo.gl/AbV8Rk). Fica assim patente o fato de como PS-Madeira NÃO quer defender os superiores interesses económicos da Região na União.
Finalmente é de saudar o Governo Regional da Madeira por ter indicado o ex-Secretário Regional das Finanças como Conselheiro Técnico da representação Permanente de Portugal junto da União Europeia (REPER). Ainda que esta comissão de serviço seja apenas por 3 anos, a mesma coincide com a altura em que a República Portuguesa e o Governo Regional devem reunir e coordenar esforços que visem a manutenção e defesa do regime da Zona Franca da Madeira, o qual termina em 2020, e onde a experiência do ex-Secretário Regional é sem dúvida indispensável
ACTO II – SILÊNCIO É A MORTE DO ARTISTA
Patente na sessão plenária de Estrasburgo foi o aceso debate entre a Eurodeputada socialista Ana Gomes e Eurodeputado centrista Nuno Melo.
Mais uma vez a supramencionada Eurodeputada fez questão de, em plenário, lesar os superiores interesses nacionais e regionais, “destilando” todo o asco e insulto, pela qual é conhecida, relativamente à Zona Franca da Madeira. Num discurso onde imperaram o ódio irracional e as mentiras sobre a Madeira, Ana Gomes voltou a insultar todos os trabalhadores da Zona Franca e respetivos investidores internacionais e nacionais.
E mais um vez os atores políticos regionais remeteram-se ao silêncio em vez de democrática e institucionalmente aplacarem uma das vozes que mais tem contribuído para a imagem negativa da Zona Franca junto do eleitorado centro-esquerda em Portugal.
Este silêncio, face às declarações de Ana Gomes e de pessoas como ela, é um verdadeiro contraste quando comparado com a posição do Governo Maltês quando confrontado com situações semelhantes, veja-se o caso dos Malta Papers/Leaks.
Como já tenho tido oportunidade referir, este silêncio pode ser óptimo para conseguir resultados negociais como aquele que foi atingido pela Eurodeputada Cláudia Monteiro de Aguiar, mas pode ser “a morte do artista” na era da comunicação digital.
Por último, mas não menos importante, é de referir o modo como a Zona Franca de Canárias saiu incólume (e inaudível por parte dos Eurodeputados responsáveis pelo inquérito) durante todo o processo de levado a cabo pela Comissão de inquérito sobre o branqueamento de capitais e a elisão e evasão fiscais do Parlamento Europeu. É caso para dizer que Portugal se põe a jeito em Bruxelas através dos seus mais importantes parlamentares como a Ana Gomes e por omissão “lobística” da parte nacional e regional.

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