
Das audiências decorridas no Parlamento Europeu antes deste órgão eleito aprovar ou vetar os candidatos nomeados por Ursula von der Leyen, é possível consultar o verbatim das mesmas e as respostas escritas submetidas pelos nomeados às respectivas comissões parlamentares responsáveis pelos seus portfólios. Dessa consulta (em http://bit.ly/AudiCom19) verifica-se o seguinte:
- Frans Timmermans, nas suas respostas escritas não menciona os desafios das alterações climáticas que a regiões ultraperiféricas da UE (RUPs) enfrentam (embora mencione ilhas, num contexto geral). Já nas 44 páginas de verbatim das suas audiências, nem uma menção às RUPs ou às ilhas;
- Margrethe Vestarger, responsável por aprovar o regime da Zona Franca da Madeira (Centro Internacional de Negócios da Madeira), nas suas respostas escritas não menciona os desafios da implementação da economia digital ou a forte concorrência prejudicial que as RUPs enfrentam. O mesmo acontece com as suas 40 páginas de verbatim das suas audiências, no entanto a mesma senhora encontra-se preocupada em garantir uma tributação justa na UE, como forma de promover uma “sociedade decente”. — É caso para perguntar se é decente uma RUP ver o seu regime fiscal, de combate à ultraperiferia, sujeito a uma avaliação e concorrência desleal por parte de outras economias europeias, não podendo nada fazer para concorrer em pé de igualdade com estas…
- Valdis Dombrovskis, nas suas respostas escritas, e no verbatim da sua audiência, não menciona os desafios adicionais do desenvolvimento socioeconómico num contexto de ultraperiferia ou de insularidade. — Sem comentários…
Posto isto, é caso para dizer que os principais responsáveis pela políticas de desenvolvimento socioeconómico da União Europeia não têm como uma das suas principais preocupações o desenvolvimento socioeconómico das RUPs, pilares geoestratégicos da UE no Mundo. Mais do que nunca, um forte lobby das RUPs, em geral, e da Região Autónoma da Madeira, em particular, junto das instituições da UE é necessário.
in JM-Madeira
