A decisão do Governo Regional de financiar viaturas para a PSP é um erro político grave e um desvio institucional inaceitável. A PSP não é competência da Região Autónoma da Madeira. É um corpo de polícia nacional, hierarquicamente dependente do Ministério da Administração Interna. Qualquer investimento regional em meios operacionais da PSP representa, portanto, uma transferência indevida de recursos regionais para funções do Estado central.
Esta medida constitui um perigoso precedente: se a Região começa a financiar encargos que pertencem exclusivamente ao Estado, então abdica, na prática, do seu estatuto autonómico. Em vez de reforçar a autonomia, fragiliza-a. Além disso, cria uma perversão política evidente: o Governo Regional tenta agradar a um potencial eleitorado do Chega, oferecendo-lhes uma bandeira securitária, mesmo à custa do erário público madeirense.
Ou o Estado transfere formalmente a competência de segurança pública e se cria uma polícia regional, como existe noutras jurisdições autonómicas mais avançadas, ou não se deve gastar um único euro do erário público regional em forças policiais nacionais. Tudo o resto é desperdício de dinheiro, subserviência institucional e instrumentalização política da segurança. Madeira merece respeito, autonomia e seriedade governativa, não gestos simbólicos disfarçados de investimento.

