Numa época em que as redes sociais dominam a comunicação com o eleitorado, torna-se imprescindível a presença dos órgãos de Soberania e de Autonomia nas mesmas por forma a que estes possam comunicar diretamente com cidadãos no que diz respeito, não só à forma como estes atuam, mas também como os seus atores políticos.
Assim, a presença dos órgãos de Soberania e de Autonomia nas redes sociais é cumulativamente uma forma de exercício da sua transparência para com os eleitores e os contribuintes e uma forma de proximidade democrática, as quais se traduzem necessariamente numa maior consciencialização e responsabilização dos mesmos.
O Governo Regional da Madeira é, em Portugal, um excelente exemplo de presença nas principais redes sociais utilizadas, nomeadamente no Facebook e no Instagram. Porém, o mesmo não se pode dizer da Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira, da Assembleia da República, do Governo da República, do Governo Regional dos Açores, da Presidência da República, etc..
De acordo com um estudo levado a cabo pela Marktest, divulgado em 2017, 31% dos portugueses passa entre 30 minutos a uma hora por dia no Facebook e 14,6% passam mais de duas horas por dia nesta mesma rede social. Tais estatísticas tornam evidente a necessidade dos órgãos de Soberania e de Autonomia estarem, pelo menos, presentes na rede social mais utilizada do país.
Obviamente que a presença dos órgãos de Soberania e de Autonomia nas redes sociais pressupõem um acompanhamento dedicado e constante, não só pela sua necessidade de reagir prontamente a todas as situações, mas também pela necessidade de controlar, através de regras de utilização apertadas, a atividade dos denominados utilizadores “trolls” que agem de forma deliberada e de má fé com o intuito de violar as regras implícitas de convivência social na internet e dos “net-vândalos”.
Porém, exemplos de uma eficaz e eficiente utilização das redes sociais por parte dos órgãos de Soberania e Autonomia não faltam por essa Europa fora. Não obstante, e por motivos de proximidade geográfica destaco as páginas das redes sociais dos órgãos de autonomia da Comunidade Autónoma de Canárias (as páginas de Facebook da Presidência do Governo Regional e do Parlamento de Canárias) e dos órgãos de Soberania do Reino de Espanha (as páginas de Facebook da Casa de Sua Majestade o Rei, da Câmara dos Deputados, do Senado e do Governo de Espanha).
Assim, aos órgãos de Soberania e de Autonomia compete rapidamente ativar a sua presença nas redes sociais numa era em que o eleitorado, especialmente o mais jovem, consome e comunica informação através de plataformas centralizadas como Facebook, Instagram, Twitter e Snapchat, deixando de lado a televisão, a rádio e os jornais. Também numa altura em que os utilizadores das redes sociais são inundados com rumores e “fake news” (notícias falsas), a presença oficial dos órgão de Soberania e Autonomia, a par da dos órgãos de comunicação social acreditados, torna-se um imprescindível reforço do sistema democrático de um país ao agir como um contrapeso aos rumores (verdadeiros e/ou falsos).
Posto isto, fica aqui lançado o repto para que a Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira (a página “Parlamento Mais Perto” não conta), o Representante da República e todas as Secretarias Regionais tenham uma efetiva presença no Facebook como forma de comunicar com o eleitorado e os contribuintes.
A afirmação da democracia, nos tempos de hoje, passa, necessariamente, pelas redes sociais.
in JM – Madeira

