Empregados e Patrões



Caro leitor, venho neste artigo propor-lhe o seguinte exercício: ponha-se na posição de um patrão que contrata um certo número de empregados, na sua generalidade com formação superior e completamente dispostos a darem o seu melhor, como referido por estes na entrevista de emprego, para que a sua empresa alcance os seus objectivos de médio e de longo prazo. Vamos supor ainda que enquanto patrão está disposto a compensar estes seus novos trabalhadores com um certo número de regalias e renovação do contrato, se estes alcançarem os objectivos por si definidos. 

 

Pouco depois de terem assinado o contrato de trabalho, o estimado leitor/patrão começa a notar que os seus trabalhadores não são aquilo que esperava: faltas injustificadas, não cumprimento de prazos, adiamento de tarefas definidas, conflitos entre colegas, incapacidade em trabalhar em equipa, declarações falsas prestadas à entidade patronal, declaração de despesas não comparticipadas e performance abaixo dos padrões por si exigidos. Face a estes problemas, o que faria enquanto patrão? Despedia os novos colaboradores e tentaria encontrar substitutos à altura das suas exigências? Ou manteria esses péssimos funcionários e deixaria a sua empresa cair em ruína? A resposta é bastante simples para qualquer pessoa racional.

 

Agora, estimado leitor, substitua no exercício anterior as palavras “patrão” por “eleitor”/”contribuinte”, “empregado(s)”/”funcionário(s)” por “político(s)” e “empresa” por “Portugal”/”Madeira”. A sua decisão manter-se-ia? Manteria os incompetentes na sua “empresa”? Um “patrão” (eleitor/contribuinte) responsável é aquele que o exige a melhor prestação por parte do seu “funcionário” (político). Viver em Democracia é mais do que simplesmente passar um cheque em branco aos representantes políticos que “contratamos” de 4 em 4 anos. Viver em Democracia é exigir que o dinheiro dos nossos impostos seja utilizado de forma eficiente e responsável pelos políticos, para que estes cumpram/defendam as promessas eleitorais com as quais nos identificamos. 

 

O direito a votar, implica o nosso dever de fiscalizar e exigir os mais elevados padrões de governação. É saber o que os políticos fazem e quando é que defendem os nossos interesses.

 

Os políticos não foram eleitos para caçarem “selfies”, serem vistos em “comes e bebes”, de “festas e arraiais” ou para andarem a distribuir “beijinhos a crianças e idosos”; os políticos foram eleitos para governarem pelo Povo e para o Povo, isso sim é democracia. Os salários dos políticos que elegemos e que são pagos com o dinheiro dos impostos que nos cobram, na premissa de que estes irão executar o programa com o qual se comprometeram, não pode ficar sem qualquer retorno sobre o investimento por nós realizado.

 

Acontece, porém, que parte dos problemas que os políticos pretendem resolver têm soluções concretas, muitas vezes suportadas por estudos académicos e científicos. Assim, não é natural que o dinheiro dos nossos impostos seja utilizado para pô-los a debater e a mal-dizerem-se uns dos outros ad eternum, adiando soluções com resultados já comprovados. Se temos que lhes pagar o salário, então devemos exigir-lhes que, sempre que possível, ajam na base do consenso devidamente apoiado na ciência e estudos já realizados.

 

Os Deputados recebiam, no final de 2016, cerca de 49.323,15 euros/ano. Ora com este dinheiro todo, aprovar coisas no último ano de mandato não só evidencia propaganda eleitoral, como também revela uma “ronha” total no que diz respeito a fazerem devidamente o seu trabalho. Pergunto ao eleitor/contribuinte o seguinte: se empregasse um funcionário que demora 3 anos para realizar um trabalho que pode ser feito num, o que faria enquanto patrão?

 

Da próxima vez que votar lembre-se que é o seu dinheiro que anda a financiar tudo isto, como tal aja como o patrão do político que elegeu e faça-o valer o salário que lhe paga e sobre o qual ele próprio decide!

 



Leave a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *