Sustentabilidade ou os 7 Pecados Capitais




A esmagadora maioria dos políticos portugueses há muito que segue a “tradição” do facilitismo governativo, desconhecendo ou parecendo desconhecer por completo o valor de políticas socioeconómicas que garantam a sustentabilidade intergeracional do país como um todo, entregando-se por completo aos 7 “pecados capitais” da política. Assim, a geração de políticos pós-25 de Abril é, em Portugal, maioritariamente dominada por baby boomers e generation xers que se dedicam avidamente à:

 

— Gula: incapazes de se saciarem, sempre ambicionando a próxima cadeira de poder na hierarquia política, o seu apetite impede-os de agir de acordo com uma visão de sustentabilidade e alcance de resultados. Os seus esforços são sempre direcionados para a “sobremesa” que lhes espera no próximo cargo.

 

— Avareza: toldados pela avareza proporcionada pelo poder governativo, o qual julgam lhes encher a alma e o ego, como de uma compensação pelos anos vividos em ditadura se tratasse, a generalidade dos políticos é incapaz de partilhar o poder com independentes e tecnocratas para providenciarem soluções políticas com um alcance de longo prazo e consequentemente de sustentabilidade.

 

— Luxúria: embriagados pela gula e pela avareza proporcionada pelo poder governativo, é típico do político português entregar-se a ações de luxúria à custa do dinheiro dos contribuintes, os quais reagem impávidos e serenos perante tais comportamentos. Desde almoços em restaurantes que servem caça pagos por partidos que defendem o vegetarianismo, passando por interrupções de transportes públicos em favor de rentrées partidárias e acabando em cantinas low cost com refeições de luxo, parece valer tudo.

 

— Ira: a raiva que os detentores de cargos políticos destilam uns pelos outros, ainda que muitas vezes esta não passe de um teatro, mais não é que um apex resultante da sua incapacidade em admitir a sua ignorância em assuntos do Estado e incompetência governativa em providenciar soluções concretas e sustentáveis para o país.

 

— Preguiça: é outro dos pecados capitais cometidos pela generalidade da casta política portuguesa e encontra o seu expoente máximo em várias das suas ações. Desde as faltas aos trabalhos parlamentares, passando pelo constante estado de campanha política e eleitoralista assim que ocupam o cargo. É sempre melhor andar em modo de “visita de estudo” do que passar o dia enfiado no gabinete a produzir trabalho e resultados concretos.

 

— Soberba: o pecado a que nenhum político português parece escapar. Sentindo-se superiores a tudo e todos, o típico político português irá primeiramente negar todos os pecados acima descritos, afirmando-se sempre como sendo diferente dos seus pares e o único capaz de efetivamente produzir resultados (mas apenas quando ocupar o cargo).

 

 As diferenças ideológicas, em Portugal, mais não são que uma desculpa inventada por uma classe que acaba por viver à custa dos Contribuintes, onde as suas políticas públicas são julgadas de acordo com as intenções e não pelos seus resultados, algo completamente oposto daquilo defendido pelo Nobel da Economia Milton Friedman.

 

 Como disse Deng Xiaoping (邓小平) “não importa se o gato é preto ou branco, desde que cace os ratos”, no entanto o problema de Portugal é que este está a braços com uma praga de ratos que se banqueteiam com país e gatos nem vê-los.

 



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