
E o setor do turismo também não escapa a tal fado, veja-se o “monopólio” que os taxistas se julgam no direito de exercer. Guiados por uma cegueira, digna de uma geração “baby boomer”, os taxistas querem terminar com qualquer tipo de plataforma eletrónica assente no modelo de negócio da Uber. A incapacidade destes em lidar com a concorrência, em encontrar benefícios na mesma, e em persistir com uma “luta” que entendem ser imperativa, espelham a ignorância de uma “classe profissional” e a sua incapacidade em lidar com a disrupção do seu modelo de negócio.
A luta dos taxistas contra o modelo de Uber seria o mesmo que os carteiros dos CTT fazerem greve contra o e-mail ou outras empresas privadas de serviços postais. A existência da Uber é benéfica e bem-vinda, pois veio pôr a nu as práticas abusivas praticadas pelos monopolistas do carrinho preto e verde (ou amarelo e azul), em especial num setor essencial ao país: o turismo.
Veja-se o caso de taxistas que destroem propriedade privada durante greves, os taxistas que espancam clientes argumentando que o taxímetro está “avariado”, os taxistas que “fazem o favor” de escolher o caminho mais longo para os seus cliente, os taxistas que importunam os clientes com conversas de circunstância julgando serem o Professor Marcelo Rebelo de Sousa no “Jornal Nacional”, as ligações entre certas zona turísticas de subúrbio e a respectiva cidade pela “módica” quantia de €50 (violando quaisquer convenções assinadas), as comissão ocultas em preçários paralelos cobrados a turistas e depois distribuídas pelos funcionários hoteleiros que chamaram o dito táxi, etc…
Com a Uber nada do acima descrito se verifica, entendendo-se assim o incómodo causado à classe monopolista, cuja mera existência gera, aquilo que se chama em Microeconomia, perdas sociais decorrentes do abuso do poder de mercado.
E Portugal, como verdadeiro país provinciano, o que é que faz aquando das greves e manifestações dos taxistas contra Uber e similares? Dá aos taxistas tempo de antena. Dá-lhes tempo de antena quando decidem ocupar sem quaisquer consequência a principal e mais nobre artéria de Lisboa. Dá-lhes tempo de antena quando um dos seus membros afirma em plena televisão que “as leis são como as meninas virgens, são para ser violadas”. Dá tempo de antena a uma classe de profissionais condenada ao fracasso económico por ser incapaz de lidar e de se adaptar às novas tecnologias e aos métodos da concorrência.
Em Portugal, e na Madeira, um dos principais meios de transporte utilizados pelo turismo, os táxis, não pode estar na mão de uma classe que se acha “dona disto tudo”, só porque as suas associações profissionais não foram capazes de se inovar como faz constantemente a Uber, ou como fizerem os seus colegas no Grão-Ducado do Luxemburgo. Portugal e Madeira precisam da Uber, e de outras, se querem manter a sustentabilidade a longo prazo, do seu turismo.
in JM-Madeira
