(In)Civilidade



A poucos dias da maioria dos Portugueses entrarem, oficialmente, naquele período conhecido como Advento/Festa, momento alto das tradições Cristãs Portuguesas, importa refletir sobre a (in)civilidade dos mesmos.

 

Comecemos pela falta de consideração pelo próximo evidenciada especialmente na forma de conduzir e a qual conhece a sua expressão máxima na incapacidade dos condutores “fazerem pisca”. Esta (in)civilidade estende-se à não utilização/adopção do sistema de fecho-éclair (os condutores que circulam na via livre devem dar prioridade alternadamente aos condutores que circulam na via que termina ou na qual foi interrompida a circulação) e acaba na incapacidade de se colocarem no lado direito das escadas rolantes, deixando a “via” esquerda livre para os mais apressados.

 

A ausência de “raffinement civilisationnel” dos Portugueses, e em especial dos Madeirenses, é também ilustrada pelo constante mal-dizer e cultura de boato que assola, na generalidade, todos os estratos socioeconómicos. Não obstante, esta cultura de “vida alheia” revela também algo profundo daqueles que praticam tais atos, a sua vulgaridade e fraqueza. As «pessoas elevadas falam de ideias; pessoas medianas falam de factos; pessoas vulgares falam de pessoas» (Leandro Karnal), enquanto que «todos nós temos “força” suficiente para suportar as desgraças dos outros» (François VI, Duque de La Rochefoucauld, Príncipe de Marcillac).

 

Já que se fala na falta de “raffinement civilisationnel” do Povo Madeirense, existe outro aspecto que importa focar: a idealização deste enquanto «herói do trabalho na montanha agreste, que se fez ao mar em vagas procelosas». Se é certo que os primeiros Madeirenses que colonizaram esta ilha são verdadeiros heróis, o mesmo não se pode dizer daqueles Madeirenses, e Portugueses em geral, que nos dias de hoje perpetuam: a constante adoração do compadrio e da cunha, a contínua visão do Estado enquanto figura paterna que tudo deve financiar e em tudo deve contribuir, a constante resignação à imposição das vontades e desejos políticos metropolitanos (no caso dos Madeirenses), o passivismo político e burocrático, a rendição e resignação face à propaganda política (auxiliada pelo boato), o consumismo ávido da especulação, a falta de frontalidade de carácter, o constante tecer de simulações (dentro de simulações, dentro de simulações), etc..

 

Numa época de elevada tradição Católica, que é o/a Advento/Festa, os Portugueses, do alto da falsa Cristandade, deleitam-se uma vez mais com o “parecer” em detrimento do “ser” (potenciado e esvaziado pelo “centro-comercialismo”). Esta (in)civilidade Portuguesa tolda os verdadeiros valores de Cristandade e impede a Ética Protestante, evidenciada por Max Weber, necessária ao “raffinement civilisationnel” e ao desenvolvimento socioeconómico, para acabar com o vassalismo ao “status quo”.

 

Neste Advento que começa já no dia 1 Dezembro os Portugueses deveriam rever a sua posição cultural e civilizacional à luz dos valores Europeus que tanto veneram e alegadamente almejam.

 

​P.S.: «Si le chapeau te fait, mets-le.»

 



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