Natal Pagão



 


A História da Religião mostra-nos o quão de pagão tem o Natal celebrado por milhões de Cristãos em todo o mundo. Facto é que a esmagadora maioria das religiões celebra pelo menos uma das suas maiores festividades em torno do Solstício de Inverno.






 

Os Romanos tinham, desde 497 A.C., as Saturnalias, em honra de Saturno (na mitologia grega, Cronos), Deus do Tempo e das Colheitas. Nesta altura trocavam-se presentes e as distinções entre senhores e escravos eram abolidas, havendo inversão dos papéis sociais.

 

Com o passar do tempo, já em 274 D.C., o Imperador Aureliano, consagrava o dia 25 de Dezembro ao Deus do Sol Invictus, criando um feriado, conhecido entre os Romanos, como “Dies Natalis Solis Invicti”, por outras palavras, o Dia do Nascimento do Sol.

 

No entanto, só 350 anos após o nascimento do profeta que os Cristãos chamam “Filho de Deus”, é que a Igreja Católica fixa o dia do seu nascimento. Contrariamente à descrição constante no Evangelho de São Lucas (Lucas 2:8), a qual evidencia que a pastagem noturna de rebanhos ocorre apenas na Primavera, o Papa Júlio I faz coincidir, oficialmente, a alegada data do nascimento de Jesus com a do Deus do Sol.

 

Por seu turno, e para lá das fronteiras do Império Romano, os Germânicos celebravam pela mesma altura o Yule. Esta festividade que se estendia desde meados de Novembro até início de Janeiro, abrangendo assim o período associado ao solstício de Inverno. A celebração do Yule pelos Povos Germânicos estava ligada à Caçada Selvagem, a qual envolve um “grupo…sobrenatural de caçadores, vestidos com roupas de caça e acompanhados por cavalos, cães farejadores, etc., numa perseguição desenfreada pelos céus, através da terra ou acima dela”, normalmente liderados por Óðinn, ou uma outra figura mitológica equivalente associada.

 

Já os Persas, e outros povos da região do Crescente Fértil celebram a Shab-e Yalda (a Noite de Yaldā), a qual também no solstício de Inverno. “Nesta noite mais longa e mais escura do ano amigos e familiares reúnem-se para comer, beber e ler poesia”, em especial a redigida pelo poetaKhwāja Shams-ud-Dīn Muḥammad Ḥāfeẓ-e Shīrāzī.

 

A lista de religiões, bem mais antigas que o Cristianismo, poderia continuar, no entanto importa lembrar aos seus seguidores que a data do nascimento de Jesus mais não foi uma de entre muitas datas escolhidas a dedo pela Igreja Católica como forma de evangelizar, sem antagonizar os então chamados “Povos Pagãos”.

 

Saber os motivos por detrás desta data é tão importante como perceber que desde o neolítico que os Povos do Hemisfério Norte sempre olharam para o solstício de Inverno como uma data para celebrar a família e a abundância proporcionadas pelos esforços desta.

 

in JM-Madeira (Edição Especial de Natal)


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