
A tradição, tão apregoada pelos “stakeholders” regionais como sendo um pilar fundamental do turismo da região, corre o risco de se tornar um mero símbolo de um parque temático plantado à beira do Atlântico. Se não vejamos:
● O Carnaval, que de único só tem de tradicional o desfile do “Trapalhão”, sendo o restante mera importação do Brasil;
● A Festa da Flor, que se repete num segundo cortejo de Carnaval que submete permanentemente a um único tema: amostra de flores (muitas delas importadas), e sujeição de crianças à violação dos seus direitos de imagem;
● Os Carreiros do Monte que deixaram de prestar o serviço completo (fazerem a viagem até ao Funchal – Calçada da Encarnação);
● O Bordado Madeira que mais não passa de mero aplique para semanas de moda, dado o desinteresse em se passar este património imaterial para as gerações mais jovens através do sistema ensino público da região;
● A importação dos mercados de Natal, tradicionais da Europa Central, para a “Placa Central”;
● A importação do Dia das Bruxas, tradição anglo-saxónica, pelo comércio tradicional em substituição do local “Pão por Deus”;
● A conversão da Noite do Mercado num arraial de Verão que ocorre a 23 de Dezembro em substituição do mercado de rua para as compras de última hora;
● A desvirtuação da poncha numa bebida de álcool importado com sumo de fruta vendida como uma bebida estritamente regional;
● A realização de festas e semanas gastronómicas promotoras de produtos agrícolas locais junto de uma juventude “urbana” e “urbanizada” com conhecimentos reduzidos ou nulos de como sequer preparar esses produtos;
● As danças folclóricas estilizadas e fora de contexto junto do restaurantes, ;
● A imposição do “tradicional” peixe-espada frito com banana (ou molho de maracujá) e batata-doce com mel de cana ao mal informado turista; etc…
De facto da Região Autónoma da Madeira está mesmo de parabéns, quatro anos consecutivos a vender ilusões ao turista. Resta saber quanto tempo durará esta cortina de fumo junto de mercados cuja demografia futura e informada procurará o genuíno, o verdadeiro e o único e não uma fantasia elaborada por funcionários com imaginação “criativa”. Autenticidade precisa-se para a manutenção futura do prestigiado galardão nos anos vindouros.
in JM-Madeira (Especial de Ano Novo)
