República Europeia Já!



O Conselho Europeu de Relações Externas (European Council on Foreign Relations – ECFR), um “think tank” com sede em sete capitais europeias, deixa um alerta claro: os partidos anti-europeístas tencionam destruir a União Europeia por dentro, colocando em causa o maior projecto democrático da Humanidade que garantiu à Europa o seu maior período de paz em 2000 anos de História. 

 

As próxima eleições europeias advinham-se difíceis, existindo a séria possibilidade de os mesmos realizarem uma série de alianças negativas com vista a expor a União Europeia, e os seus cidadãos, a riscos externos e a interferências nos seus sistemas democráticos por parte potências económicas como a Federação Russa, liderada por Vladimir Putin.

 

Por outro lado, o European Democracy Lab, “think tank” com sede em Berlim, é claro e peremptório, os políticos dos partidos tradicionais não podem continuar com uma política europeia que ignora a principal e mais premente reforma pela qual a União (Europeia) tem que passar: a social.

 

Ulrike Guérot, Professora de Políticas Europeias e Estudo da Democracia, afirma, e com razão, que a União não pode continuar a fazer distinção de direitos sociais entre cidadãos da própria União em função do seu Estado-Membro de cidadania/residência. A União Europeia não pode continuar a permitir que “a nacionalidade [seja] uma ferramenta de concorrência assente nos cidadãos [europeus] uns contra os outros — seja no dumping social, no dumping salarial e na fiscalidade. Andamos envolvidos numa corrida para o fundo que se está a tornar sistémica…”

 

Os problemas da Europa e dos seus cidadãos não são problemas nacionais, mas sim regionais. “Não é a rica Alemanha contra a pobre Itália; é a rica região de Essen e o Norte de Itália contra o pobre Brandeburgo e a pobre Apúlia…”

 

As assimetrias socioeconómicas verificadas entre as diferentes regiões que compõem os diferentes Estados-Membros da União são a verdadeira causa do descontentamento e desencanto com a mesma.

 

Num mercado único, com políticas económicas e monetárias únicas, é necessário resolver os problemas sociais com uma União Social e não com um Estado Social. Se os partidos tradicionais Europeus não avançarem com a Europa dos direitos sociais, i.e. “um salário mínimo europeu, standards [direitos sociais] idênticos, sistemas de protecção ao desemprego, [e] saúde pública — que até pode ser privada ou garantida por seguros”, a UE morrerá por completo. Ideias já defendidas por Emmanuel Macron, Presidente de França. 

 

Urge “um novo projecto europeu em que pelo menos aqueles que já estão hoje na zona euro criem um sistema de solidariedade institucionalizada” e “que acabe a ideia de que aquilo com que pode contar cada cidadão europeu depende apenas da sua nacionalidade.”

 



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