Perdeu-se um Grande Estadista



No passado dia 4 de Maio, realizou-se o funeral de Estado de um dos últimos grandes estadistas da Europa: Sua Alteza Real João, pela graça de Deus, Grão-duque de Luxemburgo, Duque de Nassau, Conde-Palatino do Reno, Conde de Sayn, Königstein, Katzenelnbogen e Diez, Burgrave de Hammerstein, Senhor de Mahlberg, Wiesbaden, Idstein, Merenberg, Limburg e Epstein.

 

S.A.R. João do Luxemburgo, foi Grão-Duque reinante do seu país entre 1964 e 2000. Foi o arquitecto do moderno Luxemburgo, juntamente com os seus governos constitucionais, eleitos pelos Luxemburgueses. Recorde-se que em 1958, nos tempos áureos do pós-II Guerra Mundial, a American Geography Society e o fotógrafo Charles L. Sherman publicaram um livro intitulado “Five Littles Countries of Europe” (Os Pequenos Cinco Países da Europa). Neste pequeno livro de 1958 é dado a conhecer as condições de vida de países como Luxemburgo, Liechtenstein e Andorra, os quais experienciaram as dificuldades da Guerra e os esforços de reconstrução.

 

À época, o Luxemburgo (juntamente com o Liechtenstein e Andorra), era um país provinciano esmagadoramente dedicado à agricultura, em especial ao setor leiteiro, à venda de selos e ao pouco turismo que países europeus sem litoral experienciavam no pós-Guerra. A pouca pujança económica adicional do Luxemburgo devia-se às suas ricas minas de ferro e à união aduaneira com a Bélgica e os Países Baixos.

 

Volvidos 40 anos desde a ascensão ao trono de S.A.R. o Grão-Duque João, o Luxemburgo implementou, promoveu e aprimorou um dos sistemas fiscais mais competitivos, senão mesmo agressivo, como forma de contornar as condicionantes impostas pela falta de litoral e assim atrair investimento estrangeiro, consequentemente melhorando drasticamente o nível de vida das suas populações.

 

Nem só de feitos económicos se deve honrar a memória de S.A.R o Grão-Duque João, neto de S.A.R. a Grã-Duquesa Maria Ana, Infanta de Portugal, mas também por ter sido um veterano condecorado, por mérito próprio, da II Grande Guerra. Tendo participado activamente nas operações do Dia D (Desembarque da Normandia), enquanto soldado estrangeiro no Exército Britânico, na libertação da cidade de Bruxelas e do seu próprio país, lutando contra o terror Nazi de Hitler. Em rigor, S.A.R. o Grão-Duque João, foi “o único chefe de Estado que participou activamente” na II Grande Guerra.

 

A sua morte representa uma grande perda para toda a União Europeia. Ninguém melhor que Sua Alteza Real representou uma geração que lutou pelos ideais da Liberdade, Democracia, Solidariedade, Integração Europeia e Paz.

 

Portugal deve, não só o esforço de guerra e luta pelos valores europeus pelos quais o Grão-Duque se debateu, mas também, a solidariedade com que este abraçou e apoiou, desde cedo, a Comunidade Portuguesa emigrada no seu Grão-Ducado.

 



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