Quotas e Kakistocracia



Kakistocracia é o oposto de Meritocracia, isto é, uma kakistocracia é uma sociedade, ou um governo, que é dirigido pelos piores, menos qualificados e/ou cidadãos mais inescrupulosos.

 

Quando 30% dos alunos do ensino superior acede ao mesmo por via de um dos 20 grupos de quotas existentes, quando a Assembleia da República se propõe a debater, e a eventualmente estabelecer quotas étnico-raciais para acesso ao ensino superior, os políticos portugueses pretendem continuar com mais medidas que promovam ainda mais a kakistocracia em Portugal.

 

A implementação de quotas, seja a que nível for, é uma desvirtuação da Meritocracia e um ingrediente ideal para minar o sistema democrático de um país, uma vez que permite a perpetuação do estigma associado aos beneficiados pelas mesmas.

 

Veja-se ainda o artigo 13.º da Constituição de República Portuguesa: 1. Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei; 2. Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica ou condição social.

 

Nesta matéria, e uma vez mais, Portugal deveria olhar para Singapura e um dos motivos que levou à independência face à Malásia, de um dos países mais prósperos do mundo: a preservação e fomento da Meritocracia pura.

 

A última gota para a independência de Singapura surgiu com a aprovação, do ainda existente, artigo 153.º da Constituição da Malásia, o qual determina taxativamente que “compete ao Yang di-Pertuan Agong (Rei da Malásia) a proteção da posição especial dos Malaios e nativos.” Com este artigo o governo federal da Malásia pretendia, na década de 60 do séc. XX, garantir direitos e privilégios políticos aos Malaios, ora sendo Singapura um estado multiétnico, onde o Malaios eram minoria, o artigo e leis relacionadas com o mesmo foram rejeitados pela população, culminando na expulsão de Singapura da federação e independência forçada da mesma.

 

A Singapura de hoje continua sendo um estado multiétnico onde às três etnias é garantido a igualdade de acesso a um dos sistemas de educação melhores do mundo. Num sistema onde o estado injecta 20% do seu orçamento na Educação e onde é crime os pais falharem a matrícula dos seus filhos na escola e garantir sua frequência regular, espera-se apenas uma e só coisa: as melhores oportunidades estarão disponíveis para os melhores estudantes. Portugal ambiciona ir no sentido inverso ao de Singapura, premiando na base de discriminação do género e da etnia, potencialmente abrindo uma Caixa de Pandora da qual poderá nunca se livrar. E porquê? Porque dá votos.

 

“O governo incompetente adota quotas (de contratação), aumentando assim sua incompetência.” – Capitão James Cook.

 



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