Racismo e Vandalismo

Booker Taliaferro Washington (18 de Abril de 1856 – 14 de Novembro de 1915), foi um afro-americano escritor, educador e conselheiro de vários Presidentes dos EUA, nascido escravo, e que mais tarde se tornou um dos líderes mais proeminentes da comunidade afro-americana do seu tempo.

Do seu extenso legado político de empoderamento social e económico dos afro-americanos destaca-se uma das suas mais famosas frases que perfeitamente se enquadra na atualidade: “Há outra classe de pessoas de cor que se preocupam em manter os problemas, os erros e as dificuldades da raça negra diante do público. Tendo aprendido que são capazes de sobreviver [à custa] dos seus problemas, eles adquiriram o hábito estabelecido de anunciar os seus erros – em parte porque querem simpatia e em parte porque vale a pena. Algumas dessas pessoas não querem que o negro perca as suas queixas, porque não querem perder os seus empregos.” Foi também ele que disse que “não deixarei que nenhum homem limite ou degrade a minha alma, fazendo com que ele me odeie”.

Aquilo que começou como um protesto contra a violência policial gratuita e racista contra um alegado criminoso (que depressa virou “mártir da pátria”), rapidamente descambou em atos de vandalismo e anarquismo, verdadeiros atentados contra a civilidade, ordem pública e Estado de Direito.

Tudo isto aconteceu com o aval de uma classe política ocidental que, hoje em dia, não consegue denunciar o racismo e ao mesmo tempo impor a ordem, a Lei e processar todos os envolvidos em atos criminosos. Em vez disso a classe política evita imiscuir-se nos problemas causados pelos vândalos anarcas de esquerda e de direita que teimam em vilipendiar e reescrever a História, dando espaço para que o extremismo fascista (também ele um perigo ao Estado democrático de direito), cresça.

A História de nenhum país é correta, perfeita, ou humanista aos olhos do século XXI, no entanto o ataque que se tem visto contra várias estátuas e monumentos mais não é, que ele próprio, um monumento à ignorância histórica. Esclavagistas benfeitores, religiosos missionários, veteranos, governantes… todas as estátuas daqueles que engrandeceram as suas comunidades, mas que aos olhos do século XXI de alguma forma violaram Direitos Humanos não deveriam ser destronadas mas acompanhadas de estátuas das suas vítimas ou de placas comemorativas e informativas sobre estas. Destruir as estátuas ou colocá-las meramente em museus ou livros não só apaga a memória destas, mas também os atos associados às mesmas.

A destruição da memória histórica, em especial quando esta reveste a forma de estátuas, mais não passa de atos idênticos àqueles praticados pelos Talibã aquando do da destruição dos Budas de Bamyan pelos mesmos. “Ou seja, o culto religioso, como aliás escreveu o James Lindsay, é o mesmo, só muda o objeto de adoração”, neste caso o racismo.

“Não há maior dano que possa ser infligido à juventude, que aquele que é fazê-la acreditar que a pertença àquela ou a esta raça a fará singrar na vida, independentemente dos seu méritos e esforços.” – Booker Taliaferro Washington.

in JM-Madeira

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