Passada a II Guerra Mundial e, consequentemente, a emergência das Democracias Liberais é preocupante que em plena segunda década do séc. XXI se assista a um cego tribalismo político pautado por laivos de messianismo em ambos os extremos do espectro político esquerda-direita, verso e reverso da mesma medalha.
Os debates e diálogos políticos (que se querem democráticos), o conhecimento económico, científico e histórico sobre os quais os mesmos têm que assentar, são substituídos por teorias da conspiração, que mais parecem fábulas olímpicas envernizadas com pseudo-factos, acusações ad hominem (muitas atentando contra a honra) e, em casos extremos, incitamento ao ódio, à violência e ofensas contra a integridade física, todos estes crimes e tipificados no Código Penal português.
Exemplos das situações supra, acontecem não só nos E.U.A. (veja-se o caso do Senador republicano Rand Paul que introduziu a proposta de lei Justice for Breonna Taylor Act e que ainda assim foi vaiado e ameaçado por um turba tribalista ignorante), mas também um pouco por toda a União Europeia.
O tribalismo político constitui um verdadeiro atentado ao normal funcionamento das Democracias Liberais, bastiões últimos dos Direitos Humanos, legado civilizacional da Humanidade para as suas gerações futuras.
É pernicioso que turbas ignorantes sem qualquer pingo de humanidade, viciosamente zelotas e sem qualquer discernimento racional (ou científico), se apoderem dos espaços de debate público (incluindo as redes sociais), de forma completamente impune, com vista à promoção, não daquilo que nos qualifica como seres Humanos, mas daquilo que é comum àqueles condenados ao Malebolge e ao Cócito.
É ainda mais pernicioso que membros e simpatizantes de determinados espectros políticos, conhecendo os perigos inerentes à Democracia Liberal, personifiquem, por atos e omissões, o mal que tanto criticam, tornam-se (in)conscientemente membros de uma turba político-tribal promotora de uma cartilha demente contra aqueles que “nascem livres e iguais em dignidade e em direitos”.
“O veneno partidário [teórico da conspiração e/ou extremista] – para não falar das turbas que consomem sem qualquer filtro isento [que seria de esperar da comunicação social]; torna a cooperação na direção a objetivos comuns impossível e atrasa o progresso… O tribalismo é para o progresso [democrático, social e económico] o que o hipoclorito de sódio [vulgo lixívia] é para o cultivo da relva…” — Brad Polumbo, Redator “Eugene S. Thorpe Writing” na Foundation for Economic Education (www.fee.org).
in JM-Madeira

