economia da Madeira em 2021

2021: Uma recuperação feita de incertezas

Os dados mais recentes projectados pela empresa global de serviços financeiros Morgan Stanley indicam que até ao momento a “previsão [económica] para meados do ano 2020 está agora a entrar numa nova fase auto-sustentável e está no bom caminho para produzir um crescimento de 6,4% do PIB [global] no próximo ano”. No entanto o crescimento da economia mundial será liderado pelos BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) e só depois pelos EUA e a União Europeia, dada a dificuldade dos últimos em controlar a COVID-19. A Morgan Stanley verifica também que “as economias dependentes do comércio, como a Coreia do Sul e Taiwan, já estão em fase de recuperação, enquanto que nas grandes economias, indiscutivelmente mais orientadas para a procura interna, como a Índia e o Brasil, vários dos seus indicadores ultrapassaram, recentemente, os níveis pré-COVID-19 e registam um crescimento positivo homólogo”.

O mesmo não poderá ser dito das economias altamente dependentes do Turismo, as quais só poderão começar a recuperar, a partir de Setembro de 2021. Tal deve-se ao facto de existirem ainda múltiplas incertezas acerca da eficácia, em termos de período de imunização, das vacinas recentemente desenvolvidas. De igual forma o setor agrícola deste tipo de economias, como é o caso da Madeira, irão continuar a verificar dificuldades de escoamento dos seus produtos dada a fraca procura do setor da hotelaria e restauração.

Tendo em conta a ultraperificidade e insularidade da Região Autónoma da Madeira pode-se esperar um ano de 2021 tão difícil como o atual, sendo por isso a redução da carga fiscal, em sede de IRS e de IRC (dos atuais 20% para 14,7%), proposta pelo Governo Regional muito bem-vinda. Importa, por isso, que as empresas madeirenses aproveitem esta importantíssima ajuda para preparem o futuro com base em 3 eixos principais: digitalização, captação de investimento estrangeiro e lobby.

A digitalização deverá ser assente nas ferramentas de trabalho disponibilizadas pela economia digital, as quais podem passar pelo teletrabalho (reduzindo-se os custos fixos com instalações e afins), pela prestação de serviços transaccionáveis à distância ou uso de plataformas digitais com vista à comercialização de bens, nos mercados interno e externo, sem necessidade de loja física. Exige-se também uma educação dos consumidores por forma a potenciar tais transformações.

Já a captação de investimento estrangeiro e lobby deverão ser feitas em parceria/junto com o/do Governo Regional. Mais do que turistas esporádicos, repetentes ou turismo de massas sem “massa”, a Região Autónoma da Madeira precisa de “nómadas” digitais, residentes e investidores estrangeiros (RNHs), que pretendam efetivamente domiciliar-se no nosso Arquipélago, trazendo consigo rendimentos, capitais de investimento e know-how, só assim se evita a dependência da “monocultura” do Turismo. Tal só poderá acontecer quando todos os agentes económicos e políticos defenderem com “unhas e dentes” a manutenção de uma baixa fiscalidade corporativa (CINM – Centro Internacional de Negócios da Madeira ou sistema fiscal próprio). Não há alternativa, esta é a realidade de que todos têm que estar conscientes.

“Se todos avançam em conjunto, então o sucesso encarrega-se de si próprio.” – Henry Ford, Engenheiro Mecânico e Fundador da Ford Motor Company (1863-1947).

Leave a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *