JPP

JPP: O Servente do Centralismo

Curiosa é a esquizofrenia política de certos partidos “regionais” quando postos à prova além das fronteiras insulares. Tome-se, por exemplo, o JPP, cuja veemência autonomista se esbate, de forma inexplicável, quando chamada a erguer-se no hemiciclo nacional.

Defender, na Madeira, uma redução categórica do custo de vida, apresentando-se como o grande porta-voz dos madeirenses e porto-santenses, mas depois, em Lisboa, simplesmente optar por se abster perante uma proposta vital para reduzir o IRS, será este o exemplo máximo de prudência maquiavélica, ou apenas mais um caso de timidez política perante os donos do centralismo?

A abstenção do JPP na Assembleia da República revela uma profunda dissonância cognitiva: em casa grita-se autonomia e alívio fiscal; na capital, prefere-se um silêncio discreto que não perturbe demasiado a ordem estabelecida. Não admira que o eleitorado madeirense, tão habituado a promessas altissonantes e a um palavreado inflamado de circunstância, comece a desconfiar se não haverá, no fundo, uma secreta complacência com aqueles que pretendem governar desde o eixo São Bento-Terreiro do Paço.

Na política como na vida, coerência não é virtude secundária, mas condição indispensável para a confiança pública. O JPP, com esta atitude tão contraditória, coloca-se numa posição tão desconfortável quanto reveladora: a de um partido cujo ideal autonómico é circunstancial, mas cuja dependência em relação ao status quo lisboeta é inerentemente estrutural, e quiçá socialista.