Dia de Portugal

10 de Junho

Faz hoje uma semana que se celebrou o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, descarada usurpação laica e republicana (iniciada por Teófilo Braga), de uma data associada ao Dia do Anjo Custódio do Reino de Portugal e dos Algarves, instituída em 1504 por S.S. o Papa Júlio II e a pedido de S.M. o Rei D. Manuel I.

Não falarei do efeito pretendido do Governo da República, em cooperação com a Presidência da República, em adormecer o espírito Autonomista e/ou Independentista dos Madeirenses e Portossantenses em pleno ano de eleições municipais. Não abordarei a total falta de “pompa e circunstância” de uma parada militar cujos palanques e tribunas da audiência mais pareciam tendas de circo adquiridas na loja dos trezentos (para as gerações mais novas leia-se “lojas do euro e meio”).

Pretendo aqui recordar o 10 de Junho como a data em que os Madeirenses e Portossantenses devem associar a sua ligação a Portugal como tendo essencialmente três pilares: a vivência em Democracia, a vivência em Autonomia Político-Administrativa e a Cidadania Europeia.

De que serve celebrar o “dia de Portugal” quando o mais alto magistrado da nação, o Presidente da República, do alto da sua “superioridade” ideológica e populista queda para selfies, declara que o futuro da economia da Região Autónoma da Madeira é a Economia Azul? Qual Economia Azul? Aquela cujas empresas do setor se fixam em Lisboa e usam a Região Autónoma da Madeira como mero porto de abastecimento? Ou aquela em que a Região Autónoma da Madeira é dotada de um sistema fiscal próprio, competitivo a nível internacional, que permita captar
empresas, fixar população qualificada (de preferência em idade fértil) e tornar a Região num verdadeiro hub económico do Atlântico?

De que serve celebrar o “dia de Portugal” quando o Primeiro-Ministro usa a data como veículo para promover políticos municipais (sendo os municípios e freguesias totalmente dispensáveis no âmbito de uma Autonomia Político-Administrativa plena – vide o caso de Macau)? Note-se que a existência de municípios e freguesias criam custos de contexto que afugentam o investimento para fora da Região Autónoma da Madeira, e consequentemente, de Portugal. Para quê celebrar o “dia de Portugal” quando o Chefe de Governo e de Estado tudo fazem, por atos e/ou omissões, para obstaculizar a independência financeira e fiscal da nossa Região, e com isso desincentivar o investimento estrangeiro em Portugal?

De que serve celebrar o “dia de Portugal” quando Presidente e Primeiro-Ministro impedem, por atos e/ou omissões, o pleno potencial de desenvolvimento sócio-económico da Região Autónoma da Madeira? Tudo por uma reeleição. Tudo pelo centralismo.

Celebrar o “dia de Portugal” para quê? Para o espectáculo mediático das selfies com alguém que se vê como o “avôzinho paternalista” de uma nação sócio-economicamente decrépita que tudo concentra no eixo Lisboa-Cascais-Sintra-Oeiras-Margem Sul?

Não celebrei o “dia de Portugal”, nem o celebrarei. Celebrarei sempre o Dia da Região Autónoma da Madeira e das Comunidades Madeirenses, quiçá um dia o Dia do Reino Atlântico da Madeira (em União Dinástica com o Reino de Portugal, sob a Chefia da Casa Real e Ducal de Bragança), ou na ausência deste o Dia da República Atlântica da Madeira.

“Uma República não tem qualquer afecto pelos seus cidadãos. Um Rei pode ser mal aconselhado e agir mal, uma República nunca age bem, pois um nó de vilões apoia-se mutuamente, e juntos fazem o que nenhuma pessoa se atreve a tentar.” – Horatio Nelson, I Visconde Nelson, I Duque de Bronté.

in JM-Madeira

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