Astrid

Astrid da Noruega, 1932-2026

Morreu esta sexta-feira, 11 de setembro, a Sua Alteza a Princesa Astrid, Senhora Ferner, dois dias depois de ter assistido, em cadeira de rodas, ao funeral do irmão, S.M. o Rei Harald V, na Catedral de Oslo. Tinha 94 anos. O comunicado do Palácio Real diz apenas que a Princesa adormeceu naquele dia. Com ela extingue-se a descendência direta de Olav V e de Märtha da Suécia, e desaparece a última pessoa que viveu, de dentro da família reinante, a fuga de abril de 1940.

Nasceu a 12 de fevereiro de 1932, em Villa Solbakken, segunda filha do então Príncipe Herdeiro. Tinha oito anos quando a Alemanha invadiu a Noruega, e saiu com a mãe e os irmãos para a Suécia e depois para os Estados Unidos, enquanto o avô, Haakon VII, e o pai sustentavam a partir de Londres a recusa de capitulação. É a esse episódio, e não a qualquer virtude abstrata da instituição, que a monarquia norueguesa deve a solidez do contrato constitucional que ainda hoje mantém com o país.

A parte da vida de Astrid que a imprensa tratará como nota biográfica é, do ponto de vista institucional, a mais relevante. Märtha morreu em abril de 1954 sem ter chegado a ser rainha. Astrid tinha 22 anos e assumiu as funções de primeira-dama da Noruega, primeiro junto do avô e depois junto do pai, já rei, até ao casamento de Harald com Sonja Haraldsen, em agosto de 1968. São catorze anos de representação de Estado assegurados por alguém a quem a ordem dinástica não reservava função nenhuma, e exercidos precisamente no período em que a Coroa norueguesa fixou o formato sóbrio que hoje se lhe reconhece.

Casou em 1961 com Johan Martin Ferner, de quem enviuvou em 2015, e teve cinco filhos. Conservou o tratamento de princesa e acrescentou-lhe a designação do marido: Princesa Astrid, Senhora Ferner. Para quem se ocupa de titulatura, a fórmula vale por si, e a chancelaria norueguesa manteve-a sem alteração durante sessenta e cinco anos.

Haakon VIII, que a homenageou como tia antes de a homenagear como princesa, reteve duas coisas: o cuidado com os mais vulneráveis, que foi o eixo constante do seu trabalho de representação, e o humor, que raramente entra nos comunicados oficiais. Numa entrevista dada no seu 93.º aniversário, Astrid observou que lhe falhavam as pernas e não a cabeça, e que continuava a servir para alguma coisa. Ficou-se por aí. É uma economia de meios que já não se pratica.

Setembro será na Noruega um mês de luto. Harald V morre a 28 de agosto, é sepultado a 9 de setembro, e a irmã, que fez nesse dia a sua última aparição pública, morre a 11. A Prinesesa Ragnhild tinha partido em 2012, no Rio de Janeiro. Haakon VIII começa o reinado sem nenhum membro da geração do pai à sua volta. Não há ainda indicação quanto às exéquias.

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